Tudo deve ser simples (e você vai ser controlado sem saber)

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Tudo deve ser simples (e você vai ser controlado sem saber)
(Arte Revista Cult)
  O Brasil tornou-se o reino das coisas simples. Tem-se um presidente que se apresenta como um exemplo de “homem simples”. Os ministros também, como pessoas simples, cansam de cometer erros de gramática e reproduzir os preconceitos enraizados na sociedade brasileira. A verdade, contudo, é sempre complexa.  A identificação e a solução dos problemas, bem como o exercício consciente da soberania popular, exigem a compreensão da complexidade da vida em sociedade, a identificação das positividades e negatividades inerentes aos fenômenos e às pessoas. O modo de pensar e atuar hegemônico no capitalismo atual, contudo, quer fazer de tudo meras “positividades”, objetos úteis à lógica da concorrência e ao funcionamento do mercado. Ao contrário do que se poderia imaginar, a simplicidade está ligada menos à ideia de ajudar a compreensão do que ao objetivo de facilitar o controle dos negócios e da população.  O empobrecimento da linguagem é um dos efeitos dessa busca por simplicidade e leva tanto ao abandono de palavras e de figuras de linguagem como às modificações na articulação entre significante e significado. Metáforas, por exemplo, que ajudavam a compreender os fenômenos, tornaram-se raras. Com a “simplicidade” na linguagem, busca-se controlar os sentidos. A reflexão e a verdade, que se inserem no campo da complexidade por envolverem positividades e negatividades, passam a ser demonizadas e/ou relativizadas. A simplificação da linguagem é, portanto, uma operação que leva à redução do campo do pensamento e à uni

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