Sobre os chamados fenômenos ocultos

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Sobre os chamados fenômenos ocultos
(Comet Photo AG/Eth-Bibliothek Zürich Bildarchiv)
No ano de 1902, o recém-formado psiquiatra Carl Gustav Jung conclui a tese de doutoramento Sobre a psicologia e a patologia dos fenômenos chamados ocultos, em que tenta demonstrar possíveis conexões entre as experiências mediúnicas da paciente S. W. e a psicologia experimental. S. W. fora observada por Jung entre os anos de 1899 e 1900, quando afirmava ter poderes mediúnicos e se comunicar com o espírito do avô; ela organizava sessões com parentes diante de uma mesa que respondia a estímulos sobrenaturais, além de compartilhar premonições a partir das quais concluía sem hesitação: “ estiveram novamente aqui”. Jung se distancia da aceitação desses fenômenos psíquicos como resultantes de uma suposta mediunidade, aproximando-os da hipótese embasada no “aumento do rendimento inconsciente” e nos automatismos que transcendem a força da atividade psíquica consciente do indivíduo. Tais representações criptomnésicas “estão ligadas ao complexo do eu por um mínimo de associações”, o que facilitava a percepção alucinatória e as interpretações delirantes por parte da paciente. Jung ingressara na clínica psiquiátrica do Hospital Burghölzli, da Universidade de Zurique, em 1900. Nesse momento, ele estava profundamente impressionado com o trabalho de Théodore Flournoy sobre o inconsciente mitopoético e a hipótese de a criptomnésia (falseamento da memória que retorna à consciência e é percebida pelo paciente como fato novo, não como lembrança) ser um fenômeno que daria sustentação experimental aos transes mediúnicos obser

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