Os livros proibidos
Edição do mês
Mikhail Bulgákov, autor de Coração de cachorro (Wikimedia Commons); Os escritores Iúli Daniel e Andrêi Siniávski, presos em 1966 pela publicação de livros sob pseudônimos fora da União Soviética (Wikimedia Commons); Os irmãos Arkady e Boris Strugátski, autores de ficção científica (Wikimedia Commons)
Uma ironia histórica
A censura na Rússia abriga uma ironia histórica: nasceu quase um século antes da própria literatura russa. Já no século 11, a Rus’ de Kiev compilava suas primeiras listas de livros proibidos, inaugurando a tradição de apagar acontecimentos “indesejáveis” – herança direta da pena Damnatio memoriae, da Roma Antiga, que consistia em varrer da existência pública os opositores. Essa fórmula foi levada ao absurdo pelo regime soviético, mas engana-se quem pensa ter sido uma exclusividade comunista (ou putinista).
Ao longo dos séculos, a censura mudou de mãos na Rússia, mas sua intenção sempre foi a mesma: controlar o pensamento coletivo. Inicialmente regida pela Igreja ortodoxa para combater heresias e textos apócrifos, ela ganhou contornos institucionais no século 16, no Império Russo, com a introdução oficial da censura prévia pelo chamado “Concílio dos Cem Capítulos”, que buscava combater movimentos hereges e fortalecer a posição da Igreja. Muitos apóstatas fugiram então, principalmente para a Lituânia, para onde também partiram dois dos primeiros tipógrafos da Rússia: Ivan Fiódorov e Piotr Mstislavets.
A partir de Pedro, o Grande (1682-1721), o controle se tornou secular e ainda mais centralizado: o tsar assumiu para si o papel de censor-chefe, chegando ao extremo de proibir monges de guardarem papel e tinta em suas celas e de escreverem sem autorização prévia – o que só podiam fazer em um espaço determinado nos refeitórios.
Da idade de ouro da cultura ao século das massas
O sécul
Assine a Revista Cult e
tenha acesso a conteúdos exclusivos
Assinar »




