Autoras russófonas: Um panorama
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As autoras russas Elena Gan, Nadiêjda Khvoschínskaia, Anna Akhmátova e Svetlana Aleksiévitch (Wikimedia Commons)
A inclusão da Rússia no cânone da literatura europeia é mais recente do que se costuma pensar. Foi apenas no final do século 19, com a publicação de O romance russo, de Melquior de Vogüé, que a Europa descobriu o grande arsenal de autores – hoje consagrados – como Tolstói, Tchékhov e Dostoiévski. As obras das autoras de língua russa, no entanto, ainda teriam um caminho maior para ser percorrido antes de ingressar no mercado editorial do Ocidente e, em vários casos, da própria Rússia. Entre as exceções, talvez as mais conhecidas sejam Anna Akhmátova e, em menor medida, Marina Tsvetáieva (que, ainda assim, não chegam perto de ter a projeção de seus contemporâneos Vladímir Maiakóvski e Boris Pasternak).
A boa notícia é que, nas últimas décadas, além da formação de uma excelente geração de autoras contemporâneas – o chamado período pós-soviético –, vem crescendo, nos países russófonos, um esforço de buscar autoras com menos visibilidade. No Brasil, também as livrarias receberam recentemente uma leva de traduções dessas autoras; e trabalhos como os de Svetlana Aleksiévitch e de Egana Djabbárova vêm encontrando seu espaço entre o público leitor. O fenômeno não é só editorial, mas também acadêmico. Além de mais lidas, as autoras russófonas também têm sido mais estudadas.
Talvez seja possível cravar o mais recente marco de visibilidade das autoras de língua russa: o Prêmio Nobel concedido a Aleksiévitch, em 2015. Então uma autora razoavelmente desconhecida fora da Rússia, a premiação susci
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