Quando é a farsa que se repete em tragédia

Quando é a farsa que se repete em tragédia
(Foto: Divulgação)
  Começamos rindo do terraplanismo e acabamos com frio na barriga ao ouvir as palavras de Goebbels ao som de Wagner. A comunidade universitária se indignou com a esdrúxula acusação de que seus campi eram plantações de maconha; mas o susto veio ao ver o index de obras que deveriam ser recolhidas das escolas públicas de Rondônia, entre elas autores como Rubem Alves e Machado de Assis, Franz Kafka e Mário de Andrade. Ao contrário da frase de Marx, parece ser a farsa que vai se repetir em tragédia. O que à primeira vista aparenta ser descabido e folclórico, vai se tornando real e ameaçador: uma nova ordem que orbita entre o tosco e o letal. O ataque frontal à cultura, para “conter a depravação”; a Blitzkrieg contra a universidade pela “desesquerdização”, a militarização da Educação Infantil em nome dos “valores da pátria”. A aposta na formação indica um projeto de longo prazo no qual saudosistas do autoritarismo buscam recuperar o espaço perdido, por meio do estandarte da nostalgia que o revisionismo protege. Paranoia e conspiração arregimentam bodes expiatórios a cada esquina, sejam ambientalistas “vendidos ao capital internacional”, indígenas que vivem sobre riquezas que não podem ser exploradas ou doentes pelos quais a sociedade estaria se pauperizando para tratar. A lógica da maioria é o sepultamento da democracia constitucional e dos direitos fundamentais – e, com eles, a função garantidora do juiz que, a bem da verdade, foi, sem nunca ter sido.  Por mais alucinante, arcaica e reacionária que a po

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