Quando a mentira é serva da homofobia

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Quando a mentira é serva da homofobia
Jean Wyllys: Graças ao chamada “kit gay”, e por associá-la a mim, Bolsonaro passou a ter alguma relevância (Arte Andreia Freire/Revista Cult)
  Uma leitura das campanhas dos candidatos e candidatas de direita e de extrema direita que se elegeram muito bem-votadas para a Câmara Federal ou para as Assembleias Legislativas já nos permite notar que eles e elas usaram fake news me envolvendo e se colocaram como contrapontos a quem chamavam e chamam de “pai da ideologia de gênero” e “pai do kit gay”. Sobretudo essas duas últimas mentiras, propagadas à exaustão sob um financiamento subterrâneo ainda não explicado pela nossa Justiça Eleitoral, transformaram-me em pária para a maioria dos eleitores e, consequentemente, em motivo de voto para candidatos em todo Brasil que deliberadamente me atacavam. Percebi, então, numa primeira leitura dos resultados, que o trampolim dessa virada é a homofobia ou a homolesbotransfobia (muito mais que o racismo, sem querer fazer aqui hierarquias de opressões, até porque estas quando se articulam são piores). Nós, LGBTs, é que estamos em quase todas as fake news que as campanhas de Jair Bolsonaro, de seus filhos e de outros candidatos e candidatas de extrema direita produziram subterraneamente – e sob o olhar atônito, para não dizer complacente, da imprensa e das Justiças Eleitoral e Criminal – contra pessoas de esquerda que se dedicaram minimamente à comunidade LGBT (Erika Kokay, Maria do Rosário, Manuela d`Ávila e eu. Nesse sentido, as fake news contra Haddad, candidato à Presidência da República pelo PT, envolviam-nos de alguma forma, a mim em especial). A homofobia combinada com o antipetismo fizeram o pêndulo eleitoral ir para a dir

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