Privado: Os dilemas da poesia

Privado: Os dilemas da poesia
Reprodução de poema visual de Augusto de Campos por Larissa Drigo Agostinho A poesia brasileira do final do século 20 parece marcada por uma dupla herança: o modernismo e a poesia concreta. O modernismo brasileiro se sustentava num projeto de construção do Estado Nacional. O signo do atraso de nosso desenvolvimento é que este projeto, que na Europa se constitui no começo do século 19, atingiu o apogeu no Brasil do começo do século 20. A importação das “formas” estrangeiras, como o verso livre, permitiu que a poesia se modulasse para se transformar na expressão da “língua do povo”, aquele que “fala gostoso o português do Brasil”, rompendo com a sintaxe lusíada e perpetrando o mito e a necessidade de construção de uma identidade nacional. A poesia concreta não tem mais um projeto “nacional” que a sustente, por isso ela procura, por meio da invenção formal, lutar contra o que se impõe claramente como o destino irrevogável da poesia, a prosa. Não é por acaso que, mais tarde, seria justamente Augusto de Campos que anunciaria, com seu “Pós-tudo”, o _m das vanguardas. Como mostra Jacques Roubaud, em La vieillesse d’Alexandre, com a “invenção” do verso livre, a poesia não pode mais se de_nir como gênero distinto. Pois, o verso livre elimina a contagem das sílabas, que até então de_nia o verso tradicional. Surge assim a questão de saber: “De que é feita a poesia?”. Ou seja, quando a poesia não tem mais as formas do verso tradicional para legitimá--la, ela se vê irremediavelmente diante da prosa do mundo. Assim,

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