Privado: A poética que desafina

Privado: A poética que desafina
por Paulo Ricardo Alves Muitos não tinham dúvida: ela era “a escritora brasileira mais importante surgida nos últimos anos”, como declarou a crítica Heloísa Buarque de Holanda, há 30 anos, quando a poeta Ana Cristina Cesar morreu. Outra colega, a escritora Márcia de Almeida, disse: “a violência com que a geração que tem agora 30 anos foi forjada confundiu-a, e ela achou que não era mais forte que a última crise”. Essas declarações foram retiradas de um nota publicada em jornal, no dia seguinte à morte da poeta, em 29 de outubro de 1983. Naquele momento, sua primeira reunião em uma grande editora, A teus pés, chegava à sua segunda edição. O livro tinha sido publicado pela coleção Cantadas Literárias, da Brasiliense, onde também saiu Caprichos & Relaxos, de Leminski. De lá para cá, a obra de Ana Cristina, que circulou inicialmente em edições independentes, passou a ser revisitada; de sua “pasta rosa”, com poemas inéditos manuscritos e datilografados, saiu o volume Inéditos & dispersos; e a própria “pasta rosa” foi publicada, mais recentemente, numa luxuosa edição do Instituto Moreira Salles. E muitas teses universitárias surgiram, analisando seus poemas, que desafinavam o coro dos contentes. Ela nunca deixou de circular – depois da Brasiliense, seus livros saíram pela Ática. Mas já estavam esgotados há algum tempo. Não era difícil encontrá-los, porém, faltava um volume reunindo toda a sua poesia. Esse volume já está prometido para a primeira quinzena de novembro, pela Companhia das Letras. Embalada pelo

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