Oficina Literária

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Cotidiano da província

Ribamar,
maranhense de nascimento e coração entra na rua em vão:
passa pelo mesmo tocador de pífano, cego do mesmo olho,
encostado à esquina do mesmo sobrado cuja fachada dos
[mesmos azulejos lusitanos.

Em tarde de poucas nuvens, Ribamar casou com Maria Antônia.

Ribamar,
filho de Maria Antônia, maranhense de nome e coração
entra na rua em vão, passa pelo mesmo tocador de pífano,
cego do mesmo olho, encostado à esquina do mesmo sobrado cuja fachada dos mesmos azulejos lusitanos.

Desatino

Poeta é um homem que transborda diante da vida
e deságua em meio a tudo comovido.

Poeta-se em um jardim florido para contemplar uma folha seca
que balança à brisa da manhã mormente se o vento veloz
dissipa no ar seu destino incerto nesse enigma chamado vida.

Poeta é um homem que se acalanta na banalidade das coisas.

Um simples roçar de mão abarca sua vida inteira
e poderia se resumir nisso toda sua biografia:
uma ventania que incomoda nossos cabelos
traz ao seu olfato o perfume há anos sentido.

Poeta é um homem que se assusta pelos outros.

Maria na Janela

Quem me dera viver como Maria:
debruçada sobre o dia, no parapeito da janela,
esperando a noite e a telenovela.

Ah! Quem me dera! (…)

Mas a mim foi dado o sol, o asfalto escaldante
parágrafos sem ritmos, demorados soluços
e o enigma de descobrir o olhar de Maria.

Weliton Carvalho, poeta e professor universitário. É natural de Bacamal – MA e vive atualmente em Imperatriz- MA. Os poemas pertencem ao livro Geometria do Lúdico (Editora Sotaque do Norte, 2008). O site do autor é www.welitoncarvalho.com.br .

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