O sonho da retomada

O sonho da retomada
Cena do filme 'Cidade de Deus' (1997) (Reprodução)
  Quando a CULT estava prestes a sair da gráfica pela primeira vez e iniciar sua próspera jornada nas bancas, em 1997, o cinema brasileiro estava incubando aquele que seria seu filme contemporâneo mais importante, um sucesso de bilheteria, ganhador dos principais festivais e responsável por lágrimas nos rostos de críticos e júris do mundo todo. Na encruzilhada da BR-232 com a PE-265, vilarejo dos arredores de Sertânea, a 300 quilômetros de Recife, Central do Brasil encontrou ali a imagem que ganharia o planeta há 18 anos. A população de apenas 700 habitantes acolheu, por um mês, carretas, equipamentos e gente que ergueu de igreja a cabeleireiro e correios fictícios. A prosperidade do lugar, porém, ficou apenas no sonho, mas Central do Brasil inaugurava ali uma nova era para o cinema brasileiro, tão importante quanto foi o Cinema Novo de Glauber Rocha, há meio século. O filme de Walter Salles, indicado a inéditos dois Oscars (Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz), ganhador do Urso de Ouro e de Prata no Festival de Berlim e outros quarenta prêmios mundiais, virava a página de uma cinematografia que havia sido sepultada no dia 16 de março de 1990, quando o então presidente Fernando Collor de Mello extinguiu a única lei de incentivo fiscal à cultura, a Lei Sarney, acabando com a Fundação Nacional de Artes (Funarte), Fundação do Cinema Brasileiro (FCB), Embrafilme e Conselho de Cinema (Concine). Não demorou muito e o próprio Ministério da Cultura fora dissolvido. O cinema brasileiro passou a viver, então, seus piores anos na história,

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