O design é o destino

O design é o destino
A filósofa Marcia Tiburi (Foto Simone Marinho / Divulgação)
  A crença no destino é um antigo recurso explicativo que permitiu por eras negociar com o desconhecido – em si mesmo assustador. O pavor, próprio às coisas imprevisíveis, nos deu, além de tudo, a dimensão do nosso desamparo. Contra isso, o destino em seu sentido mais simples foi uma espécie de programação que viria de forças místicas, deuses, entidades. Certamente, o destino servia para diminuir o medo e também a responsabilidade, no entanto, sua principal função era a de oferecer uma programação. O que, desde Weber, se chamou “processo de secularização”, um processo histórico e cultural em que a religião perdeu lugar para a ciência como calibradora da existência, veio a mudar o sentido do destino dando-lhe uma conotação esclarecida. Do destino passou-se ao “projeto” pelo qual o “sujeito” filosófico e moral poderia responsabilizar-se. O destino foi modificado radicalmente em sua autoria, antes mística, agora humana; antes sagrada, agora profana. Cada vez mais a tecnologia, versão prática e material da ciência, passou a explicar o mundo e oferecer uma nova orientação nas ações das pessoas. Nos tornamos “funcionários” de “aparelhos”, como dizia o filósofo Vilém Flusser. Guiados pelo design A experiência religiosa nunca saiu de nossas vidas. Primeiro ela foi modificada pelas vantagens e promessas das tecnologias que sustentaram e incrementaram a dominação em todos os níveis, inclusive a econômica. Hoje a experiência religiosa é cada vez mais capturada pelos rituais de mercado. E cada vez mais conecta

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