Marina Silva e o elogio da seriedade

Marina Silva e o elogio da seriedade
  Tenho pensado muito em Marina. Marina Silva. A senhora “dos 22 milhões de votos em 2014”, a brasileira “reconhecida mundialmente pela defesa do desenvolvimento sustentável”, a “Senadora mais jovem da história”, a pré-candidata “capaz de reunir os melhores nomes para governar o Brasil” e, por fim, a “não investigada pela Lava Jato”, para usar uma lista de invocações que ela mesma publicou na semana passada no Twitter. E, para continuar brincando de Daenerys Targaryen, Marina, em sua própria opinião, é também a Criadora da Nova Forma de Fazer Política, a Que Não Passa a Mão na Cabeça de Ninguém para Herdar os Seus Votos, a Que Acha Que Ninguém Está Acima da Lei, a Que Não Entra Em Polarização, a Que Fará Diferente de Tudo o Que está aí. Pelo menos uma coisa temos que lhe conceder: muito antes que virasse modinha em 2017 a ideia do “Vamos nos juntar e fazer a política de forma diferente?” – como se vê nos manifestos de organizações como Acredito, Renova Brasil e Agora! ou de partidos como o Novo –, Marina já era uma calejada pregadora dessa ideia. Nem o marinismo nem os neorrenovadores, contudo, se dão conta de que a renovação que propõem é a parte complementar da antipolítica. Esta, como se sabe, consiste na convicção de que política é uma atividade vil e degradada, realizada por indivíduos e organizações perversas e lascivas lutando basicamente para a satisfação dos próprios apetites. Diante disso, ou viramos cínicos ou viramos clínicos (o trocadilho é da lavra de Marina). Os cínicos t

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