PT como metáfora

PT como metáfora
(Arte Andreia Freire)
  Em Doença como metáfora, Susan Sontag fala sobre a tuberculose e o câncer que, na condição de metáforas fantasiosas e punitivas, levaram a um plus de sofrimento relativamente ao que, de fato, estava em jogo. Mais tarde, ela escreveu sobre a aids no momento em que o desconhecimento da doença criou ao seu redor uma cultura do medo. Criticando a ideia de doença como metáfora, ela nos conduz ao tema da doença como experiência comum à vida. Fato que envolve o encontro entre natureza e cultura, a doença tornou-se uma espécie de marcador de opressão. Em seu livro, Sontag quer devolver à doença a sua dignidade como parte da vida para além do caráter lúgubre com que é vista e para além da espetacularidade com que é tratada pelo todo da cultura. Metáforas são expressões criadas com intenções de significar, sinalizar, demarcar, definir, orientar perspectivas. Há nelas um elemento interpretativo, mas há também muito de projeção moral. A construção da metáfora se dá em condições históricas, mas passa a ter validade de natureza. Com uma metáfora pode-se tentar explicar o mundo, embora a expressão metafórica sirva mais à compreensão do que à explicação que sempre exige provas e está inscrita no campo das teorias e práticas científicas. O mal radical Nesse pequeno artigo eu gostaria de contribuir com uma reflexão sobre a criação de uma nova metáfora sobrecarregada de elementos negativos que tem sido um recurso expressivo para o mal em nossa cultura. Refiro-me ao PT como metáfora. PT tornou-se entre nós um

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