Lacan não sem o feminismo

Lacan não sem o feminismo
Nos anos 1970 são as proposições de Lacan que se veem afetadas pelo movimento das mulheres (Arte Andreia Freire)
  Psicanálise e feminismo avançam em debate. Se nos anos 1920-30, as críticas a Freud difundidas por Karen Horney, Ernest Jones e Helene Deutsch participaram do florescimento da teorização feminista moderna, nos anos 1970 são as proposições de Lacan que se veem afetadas pelo movimento das mulheres. A crítica ao falo é reincendiada – da censura a um presumido vínculo insuperável ao pênis, vamos ao embate contra um significante privilegiado de um registro simbólico alegadamente formatado pelo masculino, coadjuvante de uma modalidade de gozo imperiosa. Não à toa, Lacan toma no seminário 20 o Movimento de Libertação das Mulheres (MLF) como interlocutor privilegiado ao discorrer sobre um gozo para além do falo – “isso daria outra consistência ao MLF!”. Este movimento, sustentado por Antoinette Fouque, figura central da profusão dos ideais feministas, conquista espaço, promove locais de discussão onde as mulheres poderiam falar e ser escutadas, da vida política à sexualidade. Pregam-se a reparação e a valorização da relação mãe-filha, um erotismo entre-mulheres a ser explorado, algo além do falicismo para o feminino – metas a serem elaboradas a partir da reformulação do lacanismo e da desconstrução derridiana. Além das reivindicações de ordem social, esse grupo propõe descrever, traduzir, interpretar a história da sexualidade das mulheres a contar de uma escrita marcada pelo selo da diferença sexual. Uma abundância de reuniões e publicações é encetada e, em 1974, Fouque e seu círculo criam a editora feminista

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