A invenção de Barandier
Edição do mês
A romancista Julia Barandier, autora de “Consigo inventar tudo” (Carolina Chediak /divulgação)
Enquanto prepara sua participação em um seminário de história da arte, uma pesquisadora mergulha em um diálogo imaginário com Claude Barandier, artista plástico francês do século 19, seu objeto de pesquisa e, principalmente, seu antepassado. “Os fantasmas da família são hereditários, me disseram uma vez.” Essa declaração da narradora do romance Consigo inventar tudo, de Julia Barandier, poderia, a priori, referir-se tanto à protagonista e narradora, Luísa, quanto à própria autora, posto que nos remete aos aspectos autobiográficos que Julia utilizou para construir sua obra e também aos exercícios metalinguísticos que a permeiam.
A narradora, de fato, consegue inventar tudo, inclusive a si mesma. Constatando as lacunas do acervo deixado por Claude Barandier, a composição do texto vai se construindo, de maneira fragmentada, entre documentação e fantasia, história e delírio, tendo como um ponto fundamental a observação meticulosa de uma tela em que Claude pintou uma representação do herói grego Ajax. Tal imagem funciona como catalisador de uma obsessão, um devaneio que desnorteia a pesquisadora, diante de um compromisso com um seminário e, sobretudo, diante de seu próprio passado e de sua identidade. “A data do seminário me assombra. Se eu tivesse começado esse processo antes, só um pouquinho antes. Agora preciso correr.”
As escassas informações existentes sobre Claude Barandier terminam por se constituir como elemento determinante para o desenvolvimento do enredo do romance de Julia, assim como da pesquisa de Luísa. Ao
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