De uma correspondência histórica para a poesia de Alberto Martins

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De uma correspondência histórica para a poesia de Alberto Martins
O poeta Alberto Martins, autor de “Boris e Marina” (Fabrício Corsaletti/divulgação)
  Já no ideário poético brasileiro desde 1967 – data da primeira edição de Poesia russa moderna (Civilização Brasileira), traduzida pelo trio Boris Schnaiderman e os irmãos Augusto e Haroldo de Campos –, dois grandes poetas russos do século passado ficaram (dentre tantos) eternizados em nossa língua. “Hamlet”, na admirável tradução de Augusto, é inesquecível. Começa assim: O murmúrio cessou. Subo ao tablado/ Apoiado ao umbral da porta,/ Procuro distinguir no eco apagado/ Os desígnios de minha sorte. É impossível não se emocionar com “A vida”, na magistral tradução de Haroldo: Não roubarás minha cor/ Vermelha, de rio que estua,/ Sou recusa: és caçador./ Persegues: eu sou a fuga.// Não dou minha alma cativa!/ Colhido em pleno disparo,/ Curva o pescoço o cavalo/ Árabe –/E abre a veia da vida. Pois bem, os poetas são respectivamente Boris Pasternak (1890-1960) e Marina Tsvetáieva (1892- -1941) que, ao longo de suas vidas, mantiveram uma intensa correspondência de 1922 a 1936. Só a partir de 2004, com a publicação em Moscou da coletânea As almas começam a ver, é que se teve acesso a quase todas as cartas de Tsvetáieva, incluindo as que haviam sido perdidas por Pasternak numa viagem, mas que foram recuperadas graças aos originais, escritos nos cadernos que ela deixou em seu testamento, ao morrer, em 1941 – suicida, como seu cavalo árabe. Dessa vasta correspondência, Alberto Martins, poeta santista, escolheu o ano de 1926 para nele se inspirar – e escrever seu excelente Boris e Marina, recém-pub

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