Trauma e superação em Caminho para o grito
(Divulgação)
É possível que quem ainda não tenha lido Jarid Arraes já tenha deparado com o nome da autora – de títulos que costumam ter ampla recepção, entre eles, Corpo desfeito, Um buraco com meu nome, Heroínas brasileiras em 15 cordéis e Redemoinho em dia quente (que ganhou os prêmios Biblioteca Nacional e APCA).
Jarid Arraes nasceu em Juazeiro do Norte, no Ceará, e antes de publicar por uma grande editora, começou produzindo cordéis que vendia por conta própria na internet – além de escrever para blogs. A empreitada foi tão bem-sucedida que, desde essa época, vive exclusivamente da renda de seu trabalho de escritora.
Sua publicação mais recente é Caminho para o grito, livro de poemas breves – que conta com ilustrações de Gabee Brandão – publicado pela Alfaguara: conjunto de textos que evidencia uma relação direta entre a vida e a obra da autora, em poemas que seriam parte da elaboração de seus traumas reais.
Persiste, na literatura, o debate sobre limites entre ficção e realidade – a lente moderna, entretanto, que toma a obra como objeto autônomo apartado do corpo que a produziu, agora cede lugar a outros modos de produção e percepção: importa menos definir o que é literário, e mais pensar como as textualidades “fabricam um presente”, como apontou, no texto Literaturas pós-autônomas, a teórica argentina Josefina Ludmer.
Em Caminho para o grito, a mistura entre vida e obra se resolve na ambiguidade do texto poético – é literatura e é vida. O poema que abre a publicação, “isto não é um poema”, nomeia t
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