Governo do veto e da bala

Governo do veto e da bala
(Divulgação/Companhia das Letras)
  O número de mortos pelo novo coronavírus no país já passa de 300 mil, no momento mais crítico da pandemia até agora, agravado por uma crise econômica aguda e pelo aumento da pobreza. O presidente Jair Bolsonaro segue em sua estratégia de governar por vetos e para os cerca de 30% da população que o apoiam desde que tomou posse. Um núcleo menor dos apoiadores, mais fanático, forma com o Centrão e os militares um tripé de sustentação pouco homogêneo. “Bolsonaro assiste de camarote às forças se digladiarem”, afirma nesta entrevista o filósofo e cientista político Marcos Nobre. “Como é um presidente antissistema, pode delegar aos outros a função de gerir o Estado.” Com o impeachment como possibilidade remota, Nobre vê formar-se um quadro eleitoral para 2022 que pode livrar o país de mais um mandato de Bolsonaro. O retorno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao cenário político sinaliza, mas não garante, uma articulação das forças democráticas visando sobretudo ao segundo turno. Mestre e doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP) e presidente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), Nobre procura entender o cenário político por meio de uma análise dos movimentos dos personagens no tabuleiro institucional. Além disso, tem o trabalho desafiador de tentar compreender como pensam o presidente e o “núcleo duro” que lhe dá apoio incondicional.  Em maio de 2020 saiu seu e-book Ponto- final: a guerra de Bolsonaro contra a democracia, sobre a situação política no primeiro mom

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