Experiências cênicas do gesto cruel no psicoboxe
Homens boxeando (1887), sequência de fotos de Eadweard Muybridge (wellcome collection)
A crueldade humana tanto fascina quanto repele. Ela assombra nossa história e interroga os limites de nossa sensibilidade. A crueldade convoca nossa relação com o outro. Ela com frequência é política. Talvez sempre o tenha sido.
Este breve texto se propõe a traçar algumas pistas para estudar, por meio do corpo, a crueldade no nível de suas manifestações sensório-motoras e afetivas.
As proposições aqui apresentadas se baseiam em uma experiência clínica de doze anos em um centro educativo fechado, junto a adolescentes delinquentes, considerados hiperviolentos. Apoiam-se também em uma prática de inspiração psicanalítica original: o psicoboxe, que começarei por apresentar.
O psicoboxe: Um curioso animal psicanalítico
Em comparação com a poltrona ou o divã, o dispositivo do psicoboxe é atípico. Porém, é rigorosamente referenciado à psicanálise. Trata-se de um combate de boxe inglês, com golpes atenuados, realizado com um clínico treinado em psicoboxe. Esse clínico não está ali para combater nem para ensinar algo técnico ao paciente. Está ali para escutá-lo por meio de um dispositivo lúdico. As inteligências sensíveis do corpo em movimento estão no cerne do encontro. À margem da cena, um segundo clínico, também formado em psicoboxe, observa. Todos têm o direito de interromper o combate a qualquer momento.
Pelo menos um dos dois clínicos psicoboxeadores possui formação inicial como psicólogo, médico psiquiatra ou psicanalista.
Elogio cênico da força de impacto atenuada
O combate de psicoboxe ocorre com u
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