Privado: Entre a totalidade e a fragmentação

Privado: Entre a totalidade e a fragmentação
Wilker Sousa “Nossa geração era comunista utópica, vanguardística, populista, libertária e não poderia ser controlada pelo Partido Comunista. Nossos contatos com os comunistas eram cordiais, amistosos, colaboracionistas, mas nos sentíamos reprimidos porque logo queriam canalizar energias em direção a uma prática burocrática da cultura cujo resultado estético agitacional seria inferior às nossas possibilidades livremente desenfreadas nas colunas barrocas do Paraíso metafísico.” Presente em Revolução do Cinema Novo (1981), essa passagem escrita por Glauber Rocha é capaz de ilustrar um dos princípios que o cineasta defendeu com unhas e dentes: a autonomia do artista. Embora se dissesse comunista, Glauber jamais se filiou ao PC, pois não desejava fazer de seus filmes uma simples bandeira política, presa aos ideais do partido. Ao contrário do que propunha o didatismo militante, ele evitou simplismos e fundiu o conteúdo ideológico ao plano metafórico, criando uma arte permanentemente marcada pela tensão. Esse e outros temas decisivos na arte de Glauber Rocha perpassam a entrevista a seguir, concedida pelo crítico de cinema Ismail Xavier. Conhecedor como poucos da obra do cineasta baiano, haja vista sua tese de doutorado da qual resultou o livro Sertão Mar: Glauber Rocha e a Estética da Fome (1983), Ismail explica de que modo Glauber se apropriou da cultura popular em seus filmes e o que faz deles pontos de inflexão na arte de vanguarda no século 20. CULT – Em Sertão Mar, o senhor afirma: “A minha análise dos filmes de Glauber Rocha proc

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Fevereiro

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