O elogio da rebeldia

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O elogio da rebeldia
Mapa da ilha de Utopia (1518), por Ambrosius Holbein, publicado na edição original alemã de “Utopia”, de Thomas Morus
. A rebeldia é definida nos dicionários como desobediência, contra a ordem, e o rebelde, como sendo um teimoso, insubordinado. São definições negativas, pois a rebeldia não é apenas de quem resiste à autoridade, é também um pensamento sobre o poder. Foi o que aconteceu com Thomas Morus ao escrever o livro A utopia, em 1516, imaginando uma sociedade fraterna, sem propriedade privada, na qual todos trabalhavam uma mesma carga horária. O livro é uma crítica à sociedade renascentista e revela um desejo de mudança. Talvez a primeira utopia seja a República, de Platão, ao imaginar uma forma nova de organizar a vida em sociedade. Já entre os primeiros utopistas estão os profetas, cujas mensagens parecem esquecidas até entre as religiões. O profeta Isaías, no capítulo 2,4 do Tanach-Velho Testamento, disse: “Das suas espadas, forjarão relhas de arados, e das suas lanças, foices. Não levantará a espada nação contra outra nação, nem daí por diante se adestrarão mais para a guerra”. Os profetas imaginaram há quase 3 mil anos um mundo pacífico, um mundo messiânico. Já a rebeldia começa bem antes, com a história de Eva, tal como escrito no Gênesis. Ela come da árvore do conhecimento, sua curiosidade é a rebeldia contra a proibição divina de comer dessa árvore; é, assim, o início da condição humana, essencial nas artes, nas ciências e no pensamento utópico. Também Prometeu, na mitologia grega, foi um rebelde roubando o fogo de Héstia e o repassando aos mortais. Um defensor da humanidade, castigado por Zeus. Rebeldia requer

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