Na contramão da crise

Na contramão da crise
Elisa Ventura: 'A gente precisa ter condições de brigar. Hoje eu não tenho. Hoje sou showroom da Amazon' (Foto: Pablo Saborido)
  As livrarias estão ficando no passado. O hábito de comprar livros em um clique (e com desconto) é um dos motivos. A formulação vem de Elisa Ventura, 54, dona da Blooks, que tem seis lojas entre Rio e São Paulo – a primeira surgiu em 2008, no Rio de Janeiro.    “Todo dia eu olho para a livraria e penso ‘Cara, isso aqui está velho’”, diz. Ela não tem as respostas para um mercado que vive sua pior crise em uma década, mas é categórica ao defender, para já, um modelo mais ativo de livraria – e, para o futuro, um espaço completamente diferente: “Só não tenho dinheiro pra fazer”.  Até lá, Elisa segue apostando em uma fórmula que tem dado certo para a Blooks: levar encontros, pessoas, ideias e discussões para dentro das livrarias, respeitando o público e a vocação de cada unidade. Ela atribui a esse trabalho o sucesso e a expansão da marca mesmo em tempos de turbulência no mercado de livros – foram três lojas novas em dois anos. “Meio esteta”, cheia de ideias na cabeça, Elisa tem a atenção repartida entre tabelas de contabilidade, pedidos de livros, discos e revistas; entre o visual das vitrines e os comentários não respondidos nas redes sociais (que ela mesma escreve às vezes na madrugada). Não tem sócios, tampouco se considera livreira: diz que entende de livro, e não de literatura. “Nunca li os clássicos, pronto, falei.”  Aprendeu sobre livros com Heloisa Buarque de Hollanda, de quem foi sócia por 18 anos na editora Aeroplano, e não com seu pai, o jornalista Zuenir Ventura, como muitos pen

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