Diga-me do que sofres e te direi quem és

Diga-me do que sofres e te direi quem és
Carl Jung desenvolveu conceitos como 'arquétipos' e 'inconsciente coletivo' (Foto: Reprodução)
  Impossível ler a obra de Jung sem considerar a influência da cultura ao longo dela. A definição de que os arquétipos são estruturas, a priori vazias, que só apresentam forma no contato com a cultura, valida essa afirmação. Tal contato origina as chamadas “imagens arquetípicas”. Dessa forma, arquétipos podem ser considerados mutáveis, pois são acessados apenas quando formados e atualizados pela interação do indivíduo com as imagens culturais que preenchem determinada época. Traduzindo os arquétipos para uma linguagem mitopoética – que caracteriza o pensamento junguiano – entendemos deuses como potências e forças psíquicas que nos atravessam e nos direcionam. Nesse sentido, Jung chama a atenção para o descaso com que a sociedade de sua época se relacionava com a alma, com a psique e com os conteúdos inconscientes. Ele afirma que “os deuses tornaram-se doenças” (1931). A afirmação permanece mais atual do que nunca, pois cada vez mais o excesso de clareza, de informações e de exigência da cultura ocidental traz uma estreiteza de consciência que pode ser traduzida como a húbris ou a inflação egoica que nos lança cada vez mais para longe de quem somos e para uma massificação apoiada pelas exigências culturais. Os deuses foram desconectados de nosso cotidiano, porém Jung afirma que “abandonamos apenas os espectros verbais e não os fatos psíquicos responsáveis pelo nascimento dos deuses. Ainda estamos possuídos pelos conteúdos psíquicos autônomos, como se fossem deuses. Atualmente eles são chamados fobias, co

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