DIÁLOGO/DANÇA e DIÁLOGO/FOTOGRAFIA – Lançamento DIA 24/11

DIÁLOGO/DANÇA e DIÁLOGO/FOTOGRAFIA – Lançamento DIA 24/11

CAROS, SÁBADO QUE VEM, DIA 24/11, TEM LANÇAMENTO DOS MEUS DOIS LIVROS DA COLEÇÃO DIÁLOGO, DIÁLOGO/DANÇA (COM THEREZA ROCHA) E DIÁLOGO/FOTOGRAFIA (COM LUIZ EDUARDO ACHUTTI), PUBLICADOS PELA EDITORA SENAC SP. NO ESPAÇO REVISTA CULT ÀS 16H

ABAIXO O CONVITE

AS CAPAS E AS PREFÁCIOS PRA SABEREM DO QUE SE TRATA NESTE PROJETO:

A exemplo do que aconteceu em Diálogo/Desenho e Diálogo/Dança que antecedem este Diálogo/Fotografia, encontramos aqui o mesmo desejo de saber exposto muito mais por meio de dúvidas do que de qualquer esperança de certeza. Meu parceiro desta vez foi o fotógrafo Luiz Eduardo Robinson Achutti, professor de fotografia da Universidade Federal do RS com quem, na época de minha formação em artes plásticas, tive o prazer de conviver por um semestre. Esse diálogo não deixa de ser um jeito de trazer de volta as boas conversas marcadas na experiência hoje inacessível sob a luz vermelha do laboratório. Aprender a revelar uma imagem foi para mim, naquela época em que eu era também estudante de filosofia, um ato filosófico inestimável cujo sentido vim a compreender a cada dia em que, escrevendo um texto ou dando uma aula de filosofia, percebo o caráter positivo e negativo da linguagem, seu dizer possível, seu dizível e seu não dizível. Assim como aprendi a experiência filosófica por meio das artes e, sobretudo, do desenho e da fotografia, gosto de pensar que hoje nesta troca dialógica, também aprendo – finalmente, quem sabe – a viver.

Temos aqui uma troca de cartas iniciada há cerca de dois anos. A lentidão do escrito é o tempo do pensamento que vai além da duração e se instaura na busca por algo de verdadeiro como aquilo que vem revelar-se, como o que ainda não foi visto, como o que se poderá uma dia perceber. Quando penso no verdadeiro é bem longe da intenção do discurso que se apodera de uma “verdade”. Penso como quem espera. Penso no tempo da revelação e do cuidado para que o processo técnico da linguagem permita o surgimento da imagem, da palavra. Que a fotografia seja uma metáfora para o pensamento como revelação, para o abandono da cegueira, eis o ânimo que fez avançar este livro feito de ideias e imagens, menores, sem dúvida, do que as dúvidas que o sustentando, também lhe dão asas para levar o leitor na venturosa viagem do pensamento.

Diálogo/Dança foi um projeto de troca de cor- respondências iniciado entre nós no ano de 2004 e que se concluiu em 2011. Minha curiosidade sobre as pesquisas de Thereza Rocha e seu instigante modo de pensar foi o motivo fundamental para começar esta conversa. Também um desejo de amizade – não a gasta “amizade pelo saber”, clichê filosófico capaz tantas vezes de acabar com a conversa – como via de mão dupla onde passeiam angústias e pensamentos, animais selvagens ariscos que, no encontro com o igual-diferente, aprendem a falar. No caminho, a representação formal dos conceitos deu muitas vezes lugar aos fantasmas que retornam das margens da grande via da linguagem em que a iminência da perdição está sempre dada.

O que é a dança? Onde estaria a dança? Quem dança? Que dança? O que pode a dança? Para que a dança? Perguntas que foram se propondo à atenção. Pensamentos envoltos nos fios espinhosos da busca fazendo-se corpos-palavras. A busca sendo mais que jogo, outra coisa que argumento, vontade. Vontade de dança. O encontro como brinquedo, campo aberto para a invenção que tínhamos entre a palavra e a dança. A busca caracterizada mais pela atenção ao buscar do que pela obrigação de encontrar. Thereza sempre me espanta.

A intenção era a de uma conversa em que afetos, movimentos, tempos estiveram em cena. Trançamos nossas sinceridades e fizemos descobertas no meio do processo em que passos, silêncios, estases e ímpetos contracenaram, afetando o corpo- -linguagem deste texto.

Que este Diálogo/Dança seja uma surpresa para o leitor, como foi para mim, como deve ter sido para Thereza.

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