Destinos cruzados

Destinos cruzados
Atual fachada da Universidade de Berlim, onde Arendt ingressou em 1924 para estudar grego, latim e teologia. Pouco depois, ela conheceria Heidegger na Universidade de Marburg (Divulgação)
  Hannah Arendt, exilada e sem pátria durante uma boa parte de sua vida, enfrentou com coragem e decisão uma existência deslocada entre a  velha Europa e os Estados Unidos, entre um marido proletário e comunista, o poeta e filósofo alemão Heinrich Blücher (1899-1970), e um amor  impossível com o filósofo e membro do partido nazista, Martin Heidegger (1889-1976) e entre o judaísmo problemático e a assimilação impossível. Junto a tudo isso, Hannah Arendt quis dedicar-se ao racionalismo, objeto de seus estudos filosóficos. Seu primeiro estudo foi o de O conceito de amor na obra de Santo Agostinho, o que pôde parecer como um passo firme diante de uma assimilação que a tempestade hitlerista irá reduzi-la a um fracasso. Seu protesto, em 1933, contra o novo regime não se deu a partir de uma posição de mulher de esquerda, mas como judia. Em seu primeiro exílio, em Paris, teve a oportunidade de perceber sua pertinência étnica trabalhando em organismos judeus. Mas a França foi unicamente uma etapa, que poderia ser fatal, como ocorreu com Walter Benjamin (1892-1940). A par de sua atividade no meio da comunidade judaica e sionista, Arendt quis entender um fenômeno que ficou estampado no título de seu livro Origens do totalitarismo (1951), publicado no Brasil pela Companhia das Letras. Desejava saber mais sobre o mal, como confessa a Karl Jaspers em uma conversa de 1953. Mas o fantasma da assimilação impossível ficou vigente em sua mente. Rahel Varhagen – a vida de uma judia alemã, publicada em 1958, não

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