Decodificando o voto em Bolsonaro

Decodificando o voto em Bolsonaro
Podemos até não gostar dos públicos para os quais Bolsonaro fala e age, o que não podemos é subestimá-los (Arte Andreia Freire)
  Em uma entrevista ao programa Canal Livre, em 2017, Bolsonaro revelou uma surpreendente autoconsciência sobre a fonte dos seus votos. “Eu agrego um pouco de voto de protesto, eu tenho a simpatia do público evangélico, uma simpatia enorme do agronegócio, das pessoas que querem ter uma arma dentro de casa, das pessoas que querem um currículo escolar diferente do que está aí, das pessoas que querem fazer comércio com o mundo sem viés ideológico.” Antes e depois do evento, se observarmos bem, é para esses públicos que Bolsonaro fala, e todas as suas ações, atitudes e declarações têm como fim alimentar as narrativas, as representações e as mentalidades preferidas de cada uma dessas audiências. De onde, afinal, vêm os votos em Bolsonaro? A que demanda exatamente a figura do capitão responde? Acredito que a extraordinária dimensão alcançada até aqui pelo bolsonarismo, assim como a impressionante permanência dos índices eleitorais do candidato, decorre do fato de que há várias fontes de votos desaguando em sua candidatura. Eu consigo identificar ao menos seis diferentes públicos importantes para cuja demanda Bolsonaro tem respostas consideradas apropriadas. Examinemos. O primeiro público do bolsonarismo é o setor da sociedade que foi convencido de que o principal problema nacional é a corrupção política. Não é mais, como se costumava pensar, a saúde e a educação, nem mesmo os fatores relacionados à crise econômica, como queda de renda e desemprego. Tampouco a baixa qualidade dos serviços entregues pelo Estado brasile

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