Cuidado em surto: da crise à ética

Cuidado em surto: da crise à ética
  "Tome cuidado e proteja os outros.” A Organização Mundial da Saúde (OMS) é incisiva na recomendação quanto às medidas protetivas básicas diante da pandemia da Covid-19. Na crise global, o cuidado se torna a chave indispensável para compreender as muitas dimensões dos problemas gerados, agravados ou expostos pelo novo vírus. Cuidar de si, cuidar do outro, cuidar do próximo, cuidar dos seus, cuidar de quem é mais vulnerável, cuidar de idosos, cuidar de quem cuida, cuidar da sociedade. Nos discursos públicos, o cuidado aparece como elemento essencial para sairmos de um labirinto assustador de incertezas que toma proporções civilizacionais. Em paralelo, toma forma um conjunto de medidas emergenciais gerado pela pressão do isolamento social. Os governos buscam atender materialmente às faltas geradas por quem, forçado a se isolar, cuida de si e dos demais. Rendas garantidas, em variados formatos e em diversos países, surgem como alternativa para viabilizar essa operação de cuidado coletivo sem correlatos na história humana. Mas o que nos mostra a visibilização do cuidado na pandemia? Estamos realmente diante de uma mudança no valor atribuído ao cuidado? Percebemos, finalmente, que todo ser humano precisa de cuidado? É tempo de uma ética do cuidado? Medidas como a renda mínima garantida integram esse processo? E o que será de tudo isso quando o pior passar? O primeiro passo para tentar responder a essas questões é entender o que é o cuidado e desenhar um quadro mais preciso de como uma crise do cuidado se instalou entre n

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