Crer em Deus depois de Freud? 

Crer em Deus depois de Freud? 
Freud em 1909, aos 53 anos, fotografado por Max Halberstadt
  A religião é um bom expediente para aquilatar tanto a atualidade das ideias de Freud como a necessidade de superá-las. Por um lado, é extremamente atual o diagnóstico da religião como ilusão. Basta observar, no contexto contemporâneo, a imaturidade e o primitivismo de certas práticas religiosas, catárticas e alienadoras da vida real, subjugadoras da liberdade e supersticiosas. Desse ponto de vista, é impossível não evocar as linhas clássicas de O futuro de uma ilusão (1927): “Quando o adolescente percebe que está destinado a ser sempre uma criança, que jamais poderá prescindir de proteção contra poderes desconhecidos, empresta-lhes os traços da figura paterna, cria os deuses, dos quais tem medo, que procura agradar, e aos quais, no entanto, confia a sua proteção. Assim, o motivo do anseio pelo pai é idêntico à necessidade de proteção contra as consequências da impotência humana; a defesa contra o desamparo infantil empresta seus traços característicos à reação contra o desamparo que o adulto é forçado a reconhecer, reação que é precisamente a formação da religião”. A religião, assim, corresponderia a uma ilusão, vivência imatura por resultar de uma fixação infantil, tentativa de fabular no irreal, buscando uma forma de suportar o real insuportável. Por uma reabilitação do ilusório Houve reações contrárias, porém, a essa associação entre crença e ilusão defensiva diante da vida. Lou Andreas-Salomé (1861-1937), amiga de Freud e Nietzsche, discordou do pai da psicanálise, pois, rigorosament

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