Uma dialética do especulativo e do concreto Ricardo Musse

Em suas considerações metodológicas, concentradas em grande medida no livro Dialética negativa e no artigo “O ensaio como forma”, Theodor W. Adorno expõe sua teoria como um “pensamento de conteúdos”. Com essa denominação, designa a forma de conhecimento que resulta do mergulho no heterogêneo, sem as amarras e a segurança de categorias prévias. Prescinde, assim, … Continue lendo “Uma dialética do especulativo e do concreto”

Dialetica come diavolo Vladimir Safatle

Todo leitor de Thomas Mann conhece esta passagem. Ela está no capítulo 2 de Doutor Fausto e narra o momento em que o diabo procura o compositor Adrian Leverkühn para firmar com ele um pacto, mostrar-lhe o caminho da nova linguagem musical. Conversa tensa, que em dado momento é suspensa pela contemplação de uma impressionante … Continue lendo “Dialetica come diavolo”

No mundo dos anti-heróis Ronaldo Bressane

A importância dos anti-heróis para a produção de ‘graphic novels’ brasileiras   Se é que se pode apontar um denominador comum na graphic novel brasileira, este gênero tão transgênero, é: o desprezo unânime em relação à figura do super-herói. A graphic novel anglófona viu o romance gráfico adulto florescer à sombra de obras-primas como Elektra … Continue lendo “No mundo dos anti-heróis”

Vertentes para além da ficção Joca Reiners Terron

O engajamento político das HQs com acontecimentos reais Como suporte versátil que é, as histórias em quadrinhos têm cumprido o papel de divulgar clássicos de sua prima mais velha, a literatura, quase sempre com resultados facilitadores e simplistas. Em chave mais nobre, costuma servir de espaço a outros gêneros literários, como biografias, memórias, ensaio e … Continue lendo “Vertentes para além da ficção”

Batismo e sintaxe de um novo gênero Joca Reiners Terron

Um percurso desde o surgimento das graphics novels até os novos “Joyces” que inovam sua linguagem   O termo “graphic novel” (romance gráfico) se popularizou na indústria dos quadrinhos com Um contrato com Deus (Devir, 2007), álbum de Will Eisner (1917-2005) publicado originalmente em 1978. Ao mesmo tempo que o batismo ideológico procurava libertar o … Continue lendo “Batismo e sintaxe de um novo gênero”

A ascensão do romance gráfico Manuel da Costa Pinto

A associação da HQ com a experiência moderna marcada pela abundância de signos visuais   Alguns gêneros literários – como a lírica e o drama (com suas variantes, comédia e tragédia) – parecem eternos, com origem em alguma espécie de Big bang daquilo que modernamente denominamos “literatura”. Mas se a própria noção de literatura tem … Continue lendo “A ascensão do romance gráfico”

Autobiografia e testemunho Alberto Pucheu

A voz intempestiva e anacrônica de um povo em desaparecimento Leio a primeira frase de A queda do céu, de Davi Kopenawa e Bruce Albert, e é como se ela temporariamente me bastasse, como se eu tivesse de ficar um tempo apenas com ela, como se eu tivesse de ruminá-la, de deixá-la pairando, ou melhor, … Continue lendo “Autobiografia e testemunho”

Fora da torre de marfim – três textos de intervenção de Theodor W. Adorno Felipe Catalani

Esses três pequenos textos vão contra a imagem construída de Adorno como o filósofo da torre de marfim indiferente a toda conjuntura política e social. Sua crítica ao ativismo irrefletido e ao imperativo da práxis não significava uma ignorância em relação à necessidade de resistência política, tampouco em relação à gravidade dos fatos. Ainda hoje, … Continue lendo “Fora da torre de marfim – três textos de intervenção de Theodor W. Adorno”

Não fazer nada – com Adorno? Sílvio Rosa Filho

A certa altura de Minima moralia, Adorno trata de discernir o sentido e o valor da locução “não fazer nada”. Quem já leu o aforismo n. 100 desse livro estará lembrado de que o autor alemão recorre a expressões em língua francesa, por duas vezes: a primeira, remetendo ao título de um livro de Maupassant, … Continue lendo “Não fazer nada – com Adorno?”

Ignorância populista Marcia Tiburi

Sobre o poder do não saber   Se podemos chamar de coronelismo intelectual o conjunto de práticas autoritárias no campo do conhecimento que estabelece uma espécie de ordem na qual o saber-poder tem dono, podemos chamar de ignorância populista uma outra ordem que especializa sua vigência com uma força desconhecida até agora. Trata-se de um … Continue lendo “Ignorância populista”

Dezembro

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