As distopias de George Orwell

As distopias de George Orwell
O escritor inglês George Orwell (Reprodução)
  Vivemos num mundo estranho. Mundo em que o editor da importante Harper’s Magazine aparece na CNN afirmando que a imprensa americana conspirou com o governo Bush, na construção de uma farsa – a farsa da ameaça iminente das armas de destruição em massa do Iraque, justificativa para a tomada de poder naquele país. Um mundo em que precisamos de alguém como Michael Moo­re e seu jornalismo humorístico para derrubar a linguagem ofi­cialesca da imprensa e das salas dos relações públicas e expor o grotesco por trás das decisões políticas e corporativas (agora mais do que nunca, com o acúmulo dos meios de comunicação nas mãos de poucos). Mundo em que o assento do poder parece ditar a política do Estado, e não as ideologias ou os votos do eleitorado. Estranho mundo em que há uma guerra eterna contra um inimigo invisível. GUERRA É PAZ LIBERDADE É ESCRAVIDÃO IGNORÂNCIA É FORÇA escreveu George Orwell em 1948, no que chamou de “dupli­ pensar” – um dos aspectos centrais do seu romance 1984 –, expressão de suas angústias diante das novas estruturas de poder no pós-guerra, com o mundo dividido em grandes blocos de pensamento ideológico. Um dos autores de maior impacto no século 20, Orwell  tam­ bém se tornaria um dos nomes mais reconhecidos da ficção científica (FC), graças, principalmente, às suas distopias A revolução dos bichos (1945) e 1984 (1949). As obras anteriores a essa última fase são romances como Dias na Birmânia (1934), que aproveita sua experiência no serviço da Polícia Imperial Indiana (19

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