Arte da linguagem capaz de entreter
(Dirk Skiba)
“Djinn” é um gênio: são entidades sobrenaturais, da politeísta Arábia pré-islâmica e do folclore islâmico – mencionados, inclusive, no Alcorão. Entidades com habilidades mágicas, geralmente invisíveis; objetos de eventual medo e veneração.
E esse é um dos universos dos quais o bengali Saad Z. Hossain extrai material para criar seu próprio universo distópico, cyberpunk – para criar uma obra que, baseada em elementos mitológicos, inserida em territórios reais, com alta voltagem metafórica, aborda os sentimentos humanos, nossas ambições, nossas derrotas, nossas resignações, valendo-se de sarcasmo e acidez extremos.
O romance The Gurkha and the Lord of Tuesday , escrito em inglês (e publicado nos Estados Unidos pela Tor, selo da Macmillan, em 2019), já começa com o ritmo vertiginoso que será sua constante: com o despertar do djinn Senhor da Terça-Feira, que jazia em sarcófago simplório na cordilheira do Himalaia; alcoolizado, o gênio tomara uma paulada pelas costas – para, devido ao degelo, acordar apenas milhares de anos depois, cheio de si, no contexto fantástico proposto por Hossain.
Acontece, então, o encontro (a contraposição) da entidade com Gurung, o gurca (soldado nativo do subcontinente indiano): estimulando uma série de contrastes entre passado e futuro (o presente da narrativa), mitologia e distopia, tecnologia e natureza. Antagônicos, mas complementares, os dois personagens – uma entidade quimérica, desbocada, violenta, e um nepalês marginalizado, ex-condenado, ex-fazedor de kukris falsas – partirão de
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