Vietnamitas em sueco na Finlândia

Vietnamitas em sueco na Finlândia
Quynh Tran, autor de Skugga ach svalka (Norstedts/Divulgação)
  O primeiro capítulo de Skugga och svalka já antecipa, ao leitor, a complexa atmosfera entre o pertencimento e o não pertencimento em que a trama proposta por Quynh Tran será inserida: enquanto Má, a mãe do narrador, procura emprego, após treinar seu filho a repetir uma expressão facial que desperte pena, ela é indagada se fala finlandês (ou seja: ela é estrangeira ao território, o que é perceptível de imediato; mas se o livro foi escrito originalmente em sueco, qual seria a língua do ambiente representado?); sugere-se também que a família protagonista tem origem vietnamita. “Eventuais esclarecimentos virão – no ritmo do romance: que transcorre suave, capítulo a capítulo, cena a cena, em torno do ano de 2000 (com fotografias analógicas, fitas VHS), em uma “pequena e agradável cidade de veraneio” na costa oeste finlandesa; romance de estreia de um autor que nasceu na Malásia, em campo de refugiados, e logo se mudou, com sua família de origem vietnamita, para Jakobstad, a cidade do livro, onde parte da população fala apenas finlandês, parte (a maior) fala apenas sueco e parte fala ambas as línguas. Não é incomum que livros de estreia absorvam inúmeros elementos autobiográficos de seus autores (com situações de algum impacto ou relevância vertidas em ficção) – e talvez estejam nessa característica a originalidade e a força de considerável parcela das primeiras publicações. Mas Tran se destaca por motivos que vão além do frescor: seus recursos literários, estruturais, se apresentam maduros de saída: o olhar

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