Antonio Negri: ‘A maquina soviética travou por falta de combustível’

Antonio Negri: ‘A maquina soviética travou por falta de combustível’
O filósofo marxista italiano Antonio Negri (Foto: Christian Werner e Alexandra Weltz)

 

De passagem por São Paulo para participar do seminário internacional “1917: O ano que abalou o mundo”, o filósofo italiano Antonio Negri afirmou que a Revolução Russa fracassou por conta de suas próprias contradições internas, como a constituição de uma estrutura política antes de uma econômica. E também pelos aspectos liberais, como a prática imperialista no exterior, impossibilitando o avanço da modernidade soviética.

“Os operários esgotaram os potenciais da modernidade soviética e queriam se libertar de seu domínio para produzir melhor, ter mais liberdade”, disse. “A maquina soviética, no final, travou por falta de combustível, que apenas poderia ser obtido pela renovação da produção”.

O filosofo participou da mesa “Estado, economia e política na sociedade soviética” ao lado da professora de Economia da USP Leda Paulani e do professor de Filosofia do Direito do Mackenzie Alysson Leandro Mascaro. A mediação foi da jornalista Maria Cristina Fernandes. O seminário internacional “1917: O ano que abalou o mundo” é uma iniciativa da editora Boitempo em parceria com o Sesc. 

Negri contou que teve a real dimensão da Revolução Socialista pela primeira vez aos dez anos de idade. Era 1943 e, vivendo na Pádua fascista de Mussolini, recebeu a notícia de que as cidades de Leningrado e Stalingrado, pertencentes à URSS, haviam resistido aos ataques nazi-fascistas.

“A Revolução Socialista não foi local, mas global, não porque atingiu o desejo de todo operário mundial, mas porque não podia ser apagada, estava viva”, afirma Negri. “A resistência de Leningrado e Stalingrado nos mostrou isso, era irreversível, mudou as possibilidades de configuração do poder na experiência histórica da humanidade”.

Negri relembrou que, na visão de Lênin, a revolução só seria bem-sucedida se acabasse com o Estado, concedesse todo poder aos operários, além de formas adequadas de produção e vida. “Lênin descobre um tema marxiano fundamental: não há revolução social sem uma base material que a sustente. E o Estado socialista não se orientou segundo o desejo de emancipação e liberdade do proletário, mas transformou a exploração do homem em coisa pública e privada”, afirmou.

Seminário Internacional 1917: O ano que abalou o mundo
Onde: Sesc Pinheiros, r. Pais Leme, 195, Pinheiros, São Paulo – SP
Quando: até 29/09
Quanto: R$ 18 a R$60

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