A tecnocolonização e o dever de existir

A tecnocolonização e o dever de existir
George Copeland Ault, Stacks up 1st Avenue at 34th Street, 1928 (Arte Revista Cult)
  A tecnocolonização não é simplesmente a colonização tecnológica de uma sociedade por uma outra; ela traduz mais exatamente, no mundo moderno, a colonização aberta que o universo técnico exerce sobre a estrutura e o dinamismo da vida em sociedade (espaço societal). A tendência das informações tecnocientíficas e dos artefatos a determinar o sistema social requer que se reflita sobre a função deles nas diferenciações sociais, isto é, nas posições que os atores sociais conquistam no espaço societal. Temos, cada um, o dever de existir. No espaço societal determinado pela mentalidade técnica, faz-se urgente concentrar-se na necessidade de uma abertura equilibrada e compassada do programa técnico, e não na defesa de uma ilusória democratização da técnica. A tecnocolonização da sociedade Gilbert Hottois, em seu livro Entre símbolos e tecnociências – Um itinerário filosófico, mostra como a ciência tecnicista opera uma inversão no modelo tradicional de regulação da condição social humana. Nas sociedades ditas tradicionais ou “primitivas”, essa regulação era feita pelo sistema mágico-religioso, que gozava de um poder funcional central. O que dá, porém, consistência ao modelo tecnicista de regulação social não é o simples aumento dos saberes ou a tecnologia e o esclarecimento dos aspectos antes encantados do universo, mas o vínculo entre técnica, política e economia. Os cientistas têm se reduzido a especialistas técnicos e buscado participar das variadas formas do poder, especialmente o poder político, por

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