Privado: Culturas e reconhecimento

Privado: Culturas e reconhecimento
por Juvenal Savian Filho Entre os eventos que movimentaram o Brasil em 2014 não há dúvida de que os dois principais foram as Eleições Presidenciais a Copa do Mundo. Em ambas veio à tona a noção de cultura como conjunto de ideias e práticas que identificam os grupos, povos e países. Durante a Copa do Mundo, a presença de muitos estrangeiros nas ruas de grandes cidades brasileiras e na mídia fez que o tema, naturalmente, ganhasse maior destaque. Muitas imagens foram veiculadas, incluindo vários clichês, desde turistas latino-americanos que sujaram as praias do Rio de Janeiro e os points da Vila Madalena, em São Paulo, até a organização impecável dos jogadores europeus que ganharam a taça. Durante as Eleições Presidenciais, o tema, na superfície, foi mais discreto; porém, agiu explicitamente em profundidade. Alguns comentadores políticos tentavam explicar, por exemplo, o comportamento conservador da “cultura paulista”, enquanto outros falavam da facilidade de ousar que seria típica da “cultura nordestina”; aos primeiros, houve quem respondesse dizendo que São Paulo não é conservador, mas inteligente, enquanto aos segundos, houve quem explicasse que os nordestinos não são ousados, mas enganados com favores. O horror contido em alguns juízos emitidos por jornalistas, artistas, intelectuais, políticos e líderes religiosos foi visível. Talvez tenha se desvelado, em 2014, o lado mais tosco de nossos hábitos mentais; talvez tenham sido acionadas as paixões mais primitivas que mereceriam ser elaboradas e integradas se acreditássemos q

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