A natureza errática de Karina Buhr

A natureza errática de Karina Buhr
A cantora Karina Buhr (Foto Priscilla Buhr/Divulgação)
  Um dos mais importantes cursos d’água do estado de Pernambuco, o rio Capibaribe, em seus 248 quilômetros de extensão, passa por 47 municípios antes de chegar à capital, Recife, onde desemboca no Oceano Atlântico. Nas águas turvas que cruzam a cidade, há esgoto despejado sem tratamento, produtos químicos – como chumbo e mercúrio –, além de toda sorte de lixo e animais mortos – componentes indispensáveis do buquê aromático do rio. No entanto, na tarde ensolarada da quarta-feira, 1º de julho, também há vida nas águas do Capibaribe: em um pequeno barco a motor, encontram-se o barqueiro Ezequias Firmino, as fotógrafas Priscila Buhr e Hélia Scheppa e a cantora e compositora Karina Buhr, que posa para as lentes caracterizada de mulher selvática – sem camisa, coberta de joias e portando uma lança Yanomami. Selvática é também o nome do terceiro disco – que traz no encarte as fotos tiradas naquela tarde – da baiana criada em Pernambuco (ou da pernambucana nascida na Bahia). Lançado no final de setembro, o álbum e a canção que lhe dá título têm inspirações na Bíblia e, sobretudo, no feminismo. É que Karina reescreve o Gênesis na letra da música em que mulheres não são seres submissos provenientes da costela de um homem, mas seres livres, das selvas, guerreiras com “dentes-pontas-de-diamantes/estraçalhadores fulminantes/ de pecadoras maçãs”. “É como se fosse uma história ao contrário, uma maldição reversa para sanar tudo o que houve de ruim e zerar”, define ela. Nas onze faixas que compõem seu novo traba

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