A filosofia de Freud e o Freud da filosofia 

A filosofia de Freud e o Freud da filosofia 
Sigmund Freud, 1926 (Foto: Ferdinand Schmutzer)
  Numa conferência de 1956, comemorativa do centenário de nascimento de Freud e intitulada “Freud no Século”, Lacan, a certa altura, se pergunta: “Qual é o centro de gravidade da descoberta freudiana, qual é sua filosofia? Não que Freud tenha feito filosofia, ele sempre recusou que fosse filósofo. Mas colocar-se uma questão é já sê-lo, mesmo que a gente não saiba que a coloca. Portanto, Freud, o filósofo, o que ensina ele?”. Essa afirmação, como de costume, reflete mais os interesses do próprio Lacan – mais disposto a aproximar psicanálise e filosofia, ainda que de forma polêmica – do que discute os de Freud. No entanto, não deixa de enunciar um aspecto intrigante do pensamento freudiano: Freud é conhecido por uma atitude que, em certos momentos, torna-se flagrantemente antifilosófica, mas, ao mesmo tempo, a filosofia faz-se, de uma forma ou de outra, presente em seus textos. Além disso, a psicanálise que ele criou muito cedo despertou a atenção da crítica filosófica e um interesse que esteve longe de arrefecer com a passagem do tempo. Para tentar dar sentido a esse aparente paradoxo, procuramos, na sequência, distinguir três aspectos do problema da relação entre a psicanálise freudiana e a filosofia, e discuti-los separadamente: a posição pessoal de Freud frente à filosofia; as influências filosóficas sobre a psicanálise; a significação filosófica dos conceitos freudianos. A posição de Freud frente à filosofia Quanto ao primeiro ponto, a preocupação de Freud é, claramente, caracterizar a psicanálise

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