Hamlet e uma britânica-palestina em Israel

Hamlet e uma britânica-palestina em Israel
(Divulgação)
  Durante um jantar na residência literária MacDowell, em New Hampshire, Estados Unidos, o cineasta estadunidense Michael Almereyda, conhecido por filmes como Tesla (2020) e Hamlet (2000), comentou comigo sobre um livro de que havia gostado: Enter Ghost , segunda obra de Isabella Hammad (publicada pela Jonathan Cape, em 2023). O título se refere à célebre rubrica hamletiana – mas, esclarecendo antes de tudo, não dialoga com o título Exit Ghost , de Philip Roth. Assim como Hammad (que trabalhou em Enter Ghost enquanto foi residente na própria MacDowell), a protagonista – e narradora – do romance é britânica-palestina: Sonia Nasir é filha de um palestino com cidadania israelense, que se mudara adulto para Londres, e de uma holandesa, filha de palestino, que crescera em Londres; ao passo que Haneen, irmã mais velha de Sonia, tem passaporte israelense e vive em Haifa; a caçula, sem dupla cidadania, vive na capital inglesa. E o parágrafo inicial já é aberto com as complicações que Sonia enfrenta na imigração para visitar Haneen: “Eu esperava que eles me interrogassem no aeroporto e eles me interrogaram”. Atriz que acabara de interpretar Arkádina em A gaivota, de Tchekhov, Sonia passava por dilemas particulares na Inglaterra (a vida amorosa, a vida profissional, a vida amorosa misturada com a vida profissional, o passado, a família) –, e sua visita a Israel se torna “uma viagem pela via da memória”. Essa via, porém, atravessa o presente da narrativa: afinal, Sonia se envolve com uma montagem de Hamlet em árabe, em território

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