Nunca houve inocência
A escritora Débora Ferraz (Bruno Vinelli/Divulgação)
O sombrio coração da inocência é uma investigação voltada para dentro, assombrada e luminosa ao mesmo tempo. Mas é também uma história sobre a atenção – que nem sempre conseguimos prestar – aos gestos mínimos que nossa memória seletiva esconde, mas que, uma vez gravados no papel, começam a querer ganhar sentido.
Há dez anos, Débora Ferraz ganhou os prêmios SESC e São Paulo (na categoria autor estreante) com Enquanto Deus não está olhando, e, desde então, publicou dois volumes de contos. Este novo livro, seu segundo romance, é uma trama difícil de largar. Tudo o que vemos e ouvimos está no plano das observações e das sensações de um jornalista que entra numa crise aguda em relação à profissão e ao passado. Trata-se também de uma história de combate à depressão e da tentativa inglória de compreender o que deu errado, quando e por quê.
De cara, somos apresentados a uma série de peças soltas, em sua maioria fotografias instantâneas tiradas na adolescência de Tito, o jornalista. Nas fotos, descritas pelo narrador, estão os colegas de escola, em diversos momentos e situações. Mas o que hoje obceca Tito é a morte nunca esclarecida de duas dessas colegas, que na escola desempenhavam o clássico papel das meninas bonitas a espreitar e experimentar a potência que descobrem possuir.
O romance se inscreve, em parte, num tipo longevo de literatura, aquela que nos faz mergulhar nas memórias nem sempre douradas dos tempos de uniforme. Gosto de pensar que alguns desses romances clássicos, assim como as memórias de tod
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