Pensar a solidão e a finitude

Pensar a solidão e a finitude
O escritor Krishna Monteiro (Amit Araura/Divulgação)
  Em um de seus vários momentos inspirados, o escritor argentino Julio Cortázar disse certa vez que o conto era resultado de uma batalha entre a vida e a sentença escrita da vida. “Uma síntese viva ao mesmo tempo que uma vida sintetizada, algo assim como um tremor de água dentro de um cristal, uma fugacidade numa permanência.” Ainda estimulado, Cortázar acreditava que o conto, se comparado a uma luta de boxe, deveria vencer o leitor por nocaute, diferentemente do romance, cuja vitória seria conquistada na soma dos pontos, porque ali o escritor pode acumular progressivamente os efeitos provocados no leitor. O escritor Krishna Monteiro conhece bem as alusões do argentino. Sua estreia foi em 2016 com um livro de contos, O que não existe mais (Tordesilhas), que disputou o Prêmio Jabuti na categoria Contos & Crônicas e, depois, em 2021, na categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior (pela edição francesa), por tratar com delicadeza temas como saudade, perda, lembranças e solidão. Dois anos mais tarde, experimentou o romance: O mal de Lázaro (Tordesilhas) é uma fábula sobre dor, sofrimento e redenção cuja inspiração foi o poema “A máquina do mundo”, de Carlos Drummond de Andrade. No ano passado, Krishna retornou aos contos com o livro Como se rio, nove pequenas histórias que induzem o leitor a pensar basicamente sobre solidão e finitude. Não de forma trágica ou macabra, mas como algo inerente à vida de cada um. É inquestionável que teremos todos um período definido como ser vivo, e que a morte, assim como o nascimento, é u

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