Versos inevitables
Edição do mês
Sin premeditación, con desaliño,
el otro día me miré al espejo.
¿Cómo es que puedo parecer tan viejo
cuando por dentro suelo ser tan niño?
Volvía perfumado de un corpiño,
miré al cristal apenas por reflejo
y acabé contrayendo el entrecejo
tanto, que lo recuerdo y me destiño.
“Es la ley de la vida”, dije al vuelo
sincero, convencido, sin resabio,
más resignado en realidad que sabio,
pero sin esperar piedad del cielo.
Válgame la memoria de estos labios
que aplican las lecciones de mi abuelo.
Versos inevitáveis
De pronto, sem pensar, e sem cobrança,
faz pouco tempo, olhei-me, assim, no espelho.
Como é que posso ter o aspecto velho
se aqui, por dentro, sinto ser criança?
Trazia aromas que um corpete lança;
no vidro, a imagem, vista só de esguelha,
franziu-se tanto – a testa, a sobrancelha –
que pálido fiquei por tal lembrança.
“Mas: ei-la, a lei da vida”, eu disse, em tino
sincero, até convicto, sem ressábio;
no fundo: conformado, mais que sábio –
piedade não virá do céu divino.
E: valha-me a memória destes lábios
que aplicam, pois, de meu avô, o ensino.
(tradução: felipe franco munhoz)
SILVIO RODRÍGUEZ (Cuba) é compositor, cantor, músico e poeta





