Teoria que não se diz teoria

Teoria que não se diz teoria
A filósofa Marcia Tiburi (Foto Simone Marinho / Divulgação)
  A separação entre teoria e prática é um histórico problema filosófico. Em diversos contextos, a prática é supervalorizada enquanto a teoria é diminuída. A prática é tida como urgente, e a teoria colocada como uma inutilidade, como perda de tempo. A supervalorização da prática serve ao mundo da produtividade capitalista que precisa achatar a importância da teoria e com isso qualquer coisa que diga respeito ao pensamento. A separação entre teoria e prática serve para ajustar o imaginário coletivo. Há teorias por trás de todas as ações práticas, mas isso não deve ser revelado. E há teorias por trás das “inações” de uma sociedade acomodada que, por mais que possam parecer nada práticas, são muito, mas muito práticas. Uma sociedade “acomodada” parece ser uma sociedade que abandonou as teorias, quando, na verdade, a própria “acomodação” enquanto prática é produzida por esse tipo de teoria muito especial que é a teoria que não se diz teoria. A expressão “sociedade acomodada” é construída por um tipo de teoria que precisa da ideia de que “nada se modifica”, quando, se pensarmos um pouco melhor, perceberemos que a ideia de que nada se modifica não passa de um recurso retórico que serve para nos fazer crer que as coisas são assim e não podem ser diferentes. Quando falamos de teoria pensamos em uma formulação mental que será mostrada, mas nem toda teoria é feita para ser mostrada. Ora, toda teoria é pensamento produzido. Não é à toa que teoria e teatro tenham a mesma raíz, a palavra “theore

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