Revolucionária da educação, Armanda Álvaro Alberto é tema de documentário biográfico

Revolucionária da educação, Armanda Álvaro Alberto é tema de documentário biográfico
A educadora Armanda Álvaro Alberto (Foto: Divulgação/Núcleo de Estudos Visuais em Periferias Urbanas (NuVISU))

‘Armanda’, que estreia nesta quarta (31), mostra a trajetória da educadora feminista que lutou por escolas mais livres e cuja história segue desconhecida

 

Ela fez parte da Associação Brasileira de Educação e da Aliança Nacional Libertadora (ANL), era feminista e trouxe para o Brasil uma nova forma de ensinar, mais livre e menos focada na disciplina. O documentário Armanda, do Núcleo de Estudos Visuais em Periferias Urbanas (NuVISU) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, quer retirar a história de Armanda Álvaro Alberto (1892-1974) apenas dos círculos acadêmicos e “compartilhá-la com o mundo”, como diz a co-diretora do filme, Liliane Leroux. O filme estreia nesta quarta (31), durante o 3º Festival Mate Com Angu de Cinema Popular, em Duque de Caxias

Nascida em 1892, Armanda é conhecida por disseminar o método educacional Montessori – criado pela médica e pedagoga italiana Maria Montesorri -, que prevê a abolição das amarras comuns no ensino tradicional como carteiras, lousa e a divisão por matérias, além da introdução de aulas práticas e ao ar livre: “A escola seria uma espécie de casa de cultura, com cineclubes, contato com a natureza e muita arte”, explica o diretor Rodrigo Dutra. A educadora foi também signatária do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932), um documento que, em pleno Estado Novo, propunha o ensino laico e misto para meninos e meninas.

O filme foi feito de forma quase colaborativa: entraram na produção alunos da universidade, que ajudaram na pesquisa iconográfica, e outros profissionais de fora, que “cobraram pouco ou quase nada”, segundo a diretora, para colocar o projeto no mundo. O filme também teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).

Em 1921, Armanda fundou a Escola Proletária de Meriti, a primeira a servir merenda para os alunos no Brasil – e, por causa disso, se tornou uma figura importante para a cena cultural e militante da Baixada Fluminense. Ali, um dos coletivos feministas mais importantes da região leva seu nome, e o festival de cinema no qual o filme estreia, o Mate com Angu, também tem a ver com a trajetória da educadora, já que a Escola Proletária era conhecida pelo mesmo nome por servir quase sempre mate com angu aos alunos.

A vontade de abordar uma figura tão desconhecida no resto do Brasil veio justamente do impacto que Armanda teve na região da Baixada: “Fiquei curiosa ao ver que os grupos feministas daqui a homenageiam muito, e quis conhecer mais sobre essa mulher”, conta Leroux. Da ideia de falar sobre Armanda até o lançamento foram cinco anos de estudos, pesquisas, entrevistas e produção. “Felizmente, o NuVISU tem um arquivo imenso sobre ela, então não tivemos dificuldade. O que me espantou foi ver que havia tanto material sobre ela, mas pouca divulgação fora da Baixada”, lembra a diretora.

Entre os entrevistados, uma das mais marcantes é a filha de Olga Benário, Anita Prestes, que também conviveu com Armanda porque a educadora foi companheira de cela de sua mãe durante o Estado Novo – ambas foram presas por estarem envolvidas com o comunismo: Armanda, além de militante da ANL, era líder da União Feminina do Brasil, uma das primeiras organizações feministas do país, que a polícia acreditava ser um grupo financiado pelo partido comunista.

O objetivo da equipe, recuperar o que eles chamam de uma revolucionária da educação, faz sentido em um contexto como o que vivemos: Armanda é o tipo de militante do ensino que, segundo a diretora, “está em falta no Brasil atual”. “Ela deu a tônica para as lutas pela educação atualmente, mas não recebeu os louros por isso. Queremos recuperar essa história.”

(4) Comentários

  1. Onde o documentário estará disponível? Sou professora no curso de Pedagogia e tenho interesse em passar em um evento sobre Educação e Direitos Humanos.

  2. Boa tarde Pessoal,
    Sou professora de História da Educação na Universidade do Estado de Minas Gerais/Poços de Caldas/Curso de Pedagogia. Gostaria muito de ter acesso ao filme “Armanda” para os meus alunos/alunas em Poços de Caldas. Como seria possível a vocês me possibilitarem isto?
    Em 30/8 vou assisti-lo enquanto aluna de doutorado na USP.
    Grata pela atenção.
    Profa.Vera

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