A experiência, a memória e a necessidade de narrar

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A experiência, a memória e a necessidade de narrar
O escritor italiano Primo Levi: desejo e necessidade de narrar sua experiência impulsionam seu itinerário de escritor (Foto: Reprodução)
  Primo Levi é um dos maiores escritores e pensadores do século 20. O reconhecimento desse italiano de origem judaica como nome fundamental da narrativa do Novecento, porém, foi lento e gradual. Preso como partigiano pela milícia fascista em dezembro de 1943, entregue aos alemães e deportado como judeu para o campo de Monowitz (Auschwitz 3) em fevereiro de 1944, o químico antifascista sobreviveu, como ele mesmo diz, por acaso. E faz dessa experiência a gênese de sua literatura. O desejo e a necessidade de narrar sua experiência impulsionam seu itinerário de escritor. O testemunho e a invenção literária são dimensões complementares que devem ser consideradas simultaneamente ou, nas palavras do organizador de suas obras completas, Marco Belpoliti, observadas “de frente e de perfil”. Partindo da memória voluntária, matéria de suas duas primeiras obras, É isto um homem? (1947) e A trégua (1963), o autor cultiva os mais diversos gêneros literários, da autobiografia à poesia, dos contos de ficção científica ao romance e ao ensaio. A análise de sua obra deve considerar dois aspectos que estão na origem da construção de seus escritos: o primeiro é o ponto de partida de sua literatura, nascida da experiência como prisioneiro e da observação daquele universo; o segundo é a sua formação, pois, como químico, o olhar que dirigia ao mundo era orientado pela ciência que escolheu, pelo trabalho técnico de “montador de moléculas”. No lançamento de sua primeira coletânea de contos, Histórias naturais (1966), afirmou: “Sou um an

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