A presença noturna das figuras públicas

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A presença noturna das figuras públicas
(Ilustração: Marcia Tiburi)
  Embora o decreto da quarentena e as imposições das políticas de isolamento em função da crise sanitária no país pareçam elementos decisivos para a ocorrência de sonhos com elementos domésticos e com as figuras do convívio mais próximo e familiar, como casa e mãe, também houve no período de pandemia sonhos com figuras públicas. Nos cerca de 1.500 sonhos que coligimos na pesquisa Sonhos confinados em tempos de pandemia, encontramos de modo recorrente figuras públicas como políticos, atores, cantores, celebridades e escritores, mas também do esporte. Desde o clássico tratado grego Onirocrítica, de Artemidoro, escrito no século 2º d.C., os sonhos são divididos entre pessoais e impessoais, familiares e incomuns, políticos e cósmicos. Para Sigmund Freud, todos os sonhos são pessoais, mas, como realizações alucinadas de desejos recalcados, eles dão forma, interpretam e solucionam conflitos, e muitos conflitos envolvem oposições entre espaço público e privado – por exemplo, processos de censura, opressão e violência, muitas vezes figurados pela presença de representantes de instituições como partidos e hospitais, escolas ou polícias.   Em nossa pesquisa, de março a junho de 2020, figuras políticas representam quase metade (47%) das personalidades públicas no sonho dos brasileiros, com destaque para o aumento expressivo no mês de maio. Conforme a tese psicanalítica de que todo sonho parte de reminiscências diurnas, representadas por conflitos presentes, e tendo em conta a massiva participação de políticas públicas e

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