Pornografia digital: plataformização e imaginação de futuros

Edição do mês
Pornografia digital: plataformização e imaginação de futuros
(arte: Fernando Saraiva)
  Desde os primeiros tempos da internet, ainda nos anos 1990, com suas conexões e dispositivos que hoje nos pareceriam rudimentares, já se falava em pornografia online. De fato, o mercado erótico-pornográfico sempre foi muito ágil em oportunizar com sucesso as novas tecnologias, ainda em um momento pré-internet: lançamento de vídeos em VHS, adoção do DVD, uso do telefone para transações comerciais, dentre outras. Como afirma o jornalista Nick Bilton em seu livro I Live in the Future & Here’s How It Works (2010), a pornografia sempre foi inovadora em termos tecnológicos, como uma espécie de “test-drive para novas mídias”. Se fôssemos recontar essa história, veríamos uma série de inovações e uma relação íntima entre a produção/consumo de pornografia e os artefatos tecnológicos. Durante anos, ao realizar meu doutorado em ciências sociais, acompanhei de perto alguns dos modos como a internet foi apropriada para a produção da chamada pornografia alternativa, ou altporn, gênero em que essa relação fica ainda mais nítida, na medida em que a própria tecnologia aparece como personagem fundamental em cena. Se naquele momento, entre 2010 e 2015, já havia uma explosão de nichos pornográficos, formas de produção e uso de diferentes sites e redes sociais para veicular, produzir e consumir pornografia, nos últimos anos creio que estamos diante de algo ainda mais complexo. Muito tem sido falado e analisado sobre a chamada plataformização da vida, processo que abarca diferentes esferas da nossa vivência e as experiências d

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