A poesia nos fatos
Roberto Schwarz entre o romancista Paulo Lins e o poeta Francisco Alvim (Acervo Roberto Schwarz)
Ao poeta de “Inoxidável”
Num dos poucos e, à primeira vista, preguiçosos comentários sobre a poesia de Roberto Schwarz, lemos que os procedimentos analisados pelo crítico em Elefante (2000), livro do amigo e poeta de geração Francisco Alvim, poderiam descrever perfeitamente sua própria poesia. O crítico daria assim, indiretamente, as chaves de uma porta pouco frequentada de sua obra, isto é, aquela que leva a Pássaro na gaveta (1958), Corações veteranos (1974) e a outros poemas seus publicados aqui e ali até 1985. E de fato encontramos nos poemas de um e de outro a frequente substituição do verso pela fala, a disciplina da brevidade, o gosto pela alegoria, as inversões de perspectiva, a superação da problemática individual e, claro, o enlace com a tradição modernista.
No entanto, embora Alvim tenha assimilado a lição destes, escreve Schwarz em “Um minimalismo enorme” – e o mesmo, seguindo o roteiro sugerido acima, valeria para sua poesia –, seu horizonte é totalmente diferente. Assim, já não há na poesia de ambos aquele deslumbramento com que os modernistas “descobriram, assumiram e quiseram transformar em saída histórica as nossas peculiaridades sociais e culturais, ‘Tão Brasil’ ”. Contudo, como disse Alvim em um depoimento de geração e comentário sobre a poesia de Roberto Schwarz, naquela época o Brasil não deixava de entrar “por todos os olhos, por todos os poros” – mas aqueles eram os anos de chumbo, do exílio.
Cumpre agora adentrar nessa “poesia que existe nos fatos” – a expressão é de Os
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