Poema para a catástrofe do nosso tempo

Poema para a catástrofe do nosso tempo
Avenida Paulista, em São Paulo, no primeiro dia de fechamento do comércio na cidade (Foto: Roberto Parizotti)

 

I

Amanhã não será um dia melhor
do que hoje, que não é um dia
melhor do que ontem. Há um
sentimento fúnebre no ar,
de quem tem vivenciado
uma morte após a outra,
de quem tem vivenciado,
antecipadamente, mais uma
morte, a última delas, a morte
após a própria morte, a morte
da qual não se tem retorno,
a morte da qual os mortos
não voltam dela para a vida,
a morte a que apenas os vivos
se encaminham para ela
sem jamais poder voltar,
a morte da qual não se tem
poemas para se fazer,
não a morte simbólica,
mas a outra, a real,
a experiência final da morte
em vida, da qual sobrevivemos,
se tanto, ainda que neste mundo,
enquanto fantasmas desossados,
descarnados, desfigurados,
que berram na tentativa de evitar
a morte e de evitar, a todo custo,
a morte em vida. berramos em vão.
Não assustamos mais ninguém
com nossos berros. São eles, antes,
os inassustáveis, que nos assustam.
A cada momento, tentamos aprender
a fazer, fantasmaticamente,
o improvável luto de nossas
mortes, o que, quando conseguimos,
é tão somente de um modo
individual, jamais coletivamente.
Nunca aprendemos a fazer
o luto coletivo do que matou
e torturou muitos de nós, nunca
aprendemos a fazer a luta coletiva
contra nossa história de horror,
que permanece torturando e matando.
Os torturadores e assassinos
estão vivos, viveram em família
sem ser incomodados, falam
em nome da família e de deus,
viraram nomes de ruas, pontes,
cidades até se alçarem, de novo,
ao posto da presidência e da vice-
presidência da república
e, dessa vez, com o amplo apoio
do fascismo que há nas pessoas,
forjado por propagandas enganosas
da grande mídia, por fake news
compradas pelas grandes empresas
de outras grandes empresas
que governam o mundo,
os países e as pessoas.
Se, a cada vez que alguém grita
“não passarão”, eles já passaram
e continuam passando com força,
cada vez, desmesuradamente
maior, como alguns de nós ainda
perguntamos “como resistir?”,
“como resistir hoje?”.
Nesse momento, é importante dizer
que a poesia não é uma arma
contra o autoritarismo, mas
o desejo de desarmar
o autoritarismo, desarmando
os que querem acabar
com a democracia em nome
do autoritarismo ou da ditadura.
Desarmar, portanto, ao menos,
e para quase ninguém,
mas desarmar, desde nossa
impotência radical,
um dos modos do autoritarismo,
um dos modos do fascismo,
o da língua. Amanhã
não será um dia melhor
do que hoje, que não é um dia
melhor do que ontem. Alguns anos
atrás, foi possível um recomeço
para um país que vivera 21 anos
sob governo militar, sob tortura,
sob assassinatos, a que agora
se quer, declarada e cinicamente,
voltar. Depois de, antes mesmo
de ser eleito, já ter dito e repetido
“eu sou favorável à tortura,
tu sabes disso, e o povo também
é favorável à tortura”, “através
do voto você não vai mudar nada
nesse país, nada, absolutamente
nada, só vai mudar, infelizmente,
no dia que nós partirmos
para uma guerra civil aqui dentro,
e fazendo o trabalho
que o regime militar não fez,
matando uns 30 mil… Se vai morrer
alguns inocentes, tudo bem”,
“o erro da ditadura foi torturar
e não matar”, “Pinochet
devia ter matado mais gente”,
“vamos fuzilar a petralhada”,
o presidente, em campanha,
afirmou que o objetivo
de seu governo é fazer
com que o brasil volte
40 ou 50 anos, ou seja, volte para
os piores anos, para os porões,
para os calabouços mais sombrios
da ditadura militar.
A partir de então, é preciso dizer
que o futuro é o passado, que
o que está à frente é o que está
atrás 40 ou 50 anos, a partir
de então, tudo é o fim,
tudo é pior do que o fim,
tudo é o fim e o dia seguinte
do fim, a sobrevivência
fantasmática, desossada,
descarnada, desfigurada,
diária, frente ao pior,
ao mais do que pior.
em campanha, repetindo
publicamente
o que nenhuma instituição
lhe limitou a dizer nem o limitará
a fazer, ele já havia dito
tudo: “vamos fazer uma limpeza
nunca vista na história
desse brasil”, “vamos varrer
do mapa esses bandidos
vermelhos do brasil”,
“essa turma, se quiser ficar
aqui, vai ter que se colocar
sob a lei de todos nós.
ou vão para fora ou vão
para a cadeia. vai tudo vocês
para a Ponta da praia”.
“Ponta da praia”, vocês
sabem, é a base da marinha
na restinga de Marambaia
no Rio de Janeiro, onde
os opositores da ditadura
eram executados
e desovados. Tudo isso
começou há muito tempo,
tudo isso começou
com a escravidão,
tudo isso atravessou muitos
de nossos momentos,
mas, mais recentemente,
tudo isso recomeçou naquele
17 de abril de 2016,
o dia em que o pior do brasil
se expôs pública
e espetacularizadamente
sem qualquer escrúpulo,
na programação de um dia
de domingo, em nome das famílias
dos deputados, em nome
de deus, em nome de qualquer
coisa, menos em nome
da coisa pública.
nesse dia, ele, o pior, como outros
dentre os piores, deu seu voto
a favor do impeachment dizendo
o que de maneira alguma
poderia ser permitido
de ser dito: “pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, pelo Brasil acima de tudo e por Deus acima de tudo, o meu voto é sim”.
No elogio ao torturador
da presidenta da república
(e de tantos outros e outras),
em plena câmara dos deputados,
televisionado em espetáculo
para todo o país,
no elogio do torturador
conhecido por, além de tudo o mais,
colocar ratos
nas vaginas das mulheres,
conhecido por fazer crianças
assistirem seus pais
sendo torturados,
conhecido por torturar as crianças
na frente de seus pais,
quando ele deveria ter saído
dali preso, mas não saiu,
o ilimitado do autoritarismo
brasileiro não encontrou
mais nenhuma limitação.
Naquele dia, com essa
e outras falas, seguidamente,
terríveis, mesmo para nós,
que sempre soubemos
dos nossos piores dias,
aquele foi o dia do pior
do que o pior. De lá para cá,
temos berrado em vão,
em vão, berramos quando
depuseram injustamente
a presidenta, em vão, berramos
quando prenderam injustamente
o ex-presidente operário,
impossibilitando sua candidatura,
em vão, berramos contra o supremo,
contra o tse, em vão berramos
contra o assassinato de marielle
e em vão continuamos a berrar,
ainda que tudo esteja às claras,
quem mandou matar marielle?
Não assustamos mais ninguém
com nossos berros; são eles,
antes, os inassustáveis,
que diariamente nos assustam.
De lá para cá, como o esperado,
tudo só vem piorando
cada vez mais, com o pleno
consentimento dos poderes
institucionais, do supremo,
e teimam, ainda, em dizer,
que o brasil está funcionando
normalmente. Não, ele não
está funcionando
normalmente, não, ele não.

II

Para quem não sabe, para quem
não viu, não leu, não ouviu,
para quem não quer saber,
para quem não quer ver,
para quem não quer ler,
para quem não quer ouvir,
para quem está surdo,
para quem não quer cheirar
o que está, fortemente, pelo ar,
mesmo que nada então adiante
dizer, saiba, entretanto, que
são muitos os testemunhos
de tal tempo, do tempo
da ditadura militar.
Já se perguntou quem
testemunha pela testemunha
– uma pergunta aporética, claro –,
e não se trata de modo algum
de fazer com que a poesia
testemunhe pela testemunha,
mas que ela possa guardar
testemunhos que foram
dolorosamente prestados,
como, por exemplo, o de Eny
Moreira, advogada:
“Dia 10 de novembro de 1972,
no Jornal Nacional, o Cid Moreira
lê uma nota oficial do Primeiro Exército
dando conta de que ‘foi morta,
num tiroteio, a terrorista Aurora Maria
Nascimento Furtado’, e,
de manhã cedo, no dia seguinte,
a família me liga e me pede
para ver se eu conseguia
liberar o corpo. Eu fui ao Exército,
o Exército disse que era no Dops,
eu fui para o Dops, disseram
que não era lá e, quando eu descia
do elevador, um policial,
que me conhecia das tantas idas,
me disse ‘ó, o corpo estava
no IML, mas já foi para o cemitério
do Caju. Eu fui para lá. Cheguei lá
estava a Dirce Drach. Dirce Drach
é uma advogada, que trabalhou com
Lino Machado. Quando eu cheguei,
a Aurora estava já no caixão… Gente,
é muito difícil lembrar isso. Nela,
foi posto um pano branco, rasgado
aqui para imitar um vestido.
A gente foi cobrindo de flores,
ela tinha um olho saltado, o outro
completamente preto,
um afundamento… Um afundamento
no maxilar, uma fratura exposta
no braço, mordidas pelo corpo,
não tinha unha nem bico de peito.
O cabelo dela era liso. Ela tinha 26
anos, branquinha, eu tinha a mesma
idade dela. O cabelo dela liso
assim e tinha uma franja
que tinha sido cortada
em cima da sobrancelha
toda irregular. Eu fiz um gesto,
desse gesto de carinho
que você faz em criança,
passando a mão assim…
Quando eu passei a mão,
que o cabelo levantou,
meu dedo afundou. Eu
comecei a mexer no cabelo.
Eles tinham… A última
coisa que fizeram com ela
foi apertar um torniquete –
por isso que ela tinha
um olho saltado. Quer dizer,
a única prova é a minha palavra
e a da Dirce. O pior disso é
que eu tenho certeza que
os homens que fizeram isso
com ela eram os mesmos
que estavam lá até a ambulância
sair com o corpo dela pra
São Paulo. A gente tratou
de botar muita flor nela
para ver se os pais
não percebiam. Desculpa”.
Como o de Cecília Coimbra:
“Uma das coisas que era comum,
quando prendiam um casal
junto, era levar um e outro
para ver o outro ser torturado.
Então, me levaram algumas vezes
para ver Novaes ser torturado…
É uma coisa difícil pra gente, né,
falar disso. E os requintes
de crueldade que fazem
com a mulher. Frequentemente,
a gente era colocada nua,
molhada, o molhar era para que
os choques ficassem mais intensos,
os choques elétricos, na boca,
no seio, na vagina, na orelha,
no nariz… A crueldade chegou
de terem um filhote de jacaré
lá no Doi-Codi, que eles puxavam
com uma corda no pescoço,
esse filhote de jacaré. Eu fui
uma noite, não lembro se era noite
ou se era dia, eu fui levada
para sala ao lado da sala de tortura,
me botaram nua, me amarraram
numa cadeira e botaram o jacaré
passando pelo meu corpo.
Eu acreditei que o meu filho
tinha sido entregue ao juizado
de menores, eles me fizeram acreditar
nisso. Meu filho tinha 3 anos e meio,
o José Ricardo, e eu caí na armadilha,
porque acreditei mesmo, porque eu vi
todos os meus irmãos presos
e meus irmãos não tinham nenhuma
militância política. Eles invadiram
a casa da minha mãe, prenderam
meus irmãos, minha cunhada,
que estava fazendo um mês
de casada com meu irmão,
eu acreditei que minha mãe
estivesse presa, eles, inclusive,
brincaram, de gozação, diziam
‘a Maria Guerrilheira’, porque
minha mãe se chamava Maria.
Depois eu vim a saber que
as únicas pessoas que não
foram presas foram minha mãe,
meu filho de três anos e meio
e meu irmão, Custódio
Coimbra, que era menor
de idade, tinha 14 anos
na época”. Escutemos
mais uma vez, em um retorno
que rememora pela diferença,
a memória de Cecília Coimbra:
“Em agosto de 1970, fui presa
e levada para o DOPS/RJ.
Dois dias depois, algemada
e encapuzada, fui para
o DOI-CODI/RJ, no quartel
da Polícia do Exército,
à Rua Barão de Mesquita,
na Tijuca. Falar daqueles
três meses em que fiquei
detida incomunicável
sem um único banho
de sol ou qualquer outro
tipo de exercício é falar
de uma viagem ao inferno:
dos suplícios físicos
e psíquicos, dos sentimentos
de desamparo, solidão, medo,
pânico, abandono, desespero.
A tortura não quer ‘fazer’ falar,
ela pretende calar
e é justamente essa a terrível
situação: através da dor,
da humilhação e da degradação
tentam transformar-nos
em coisa, em objeto.
Em especial, a tortura
perpetrada à mulher
é violentamente machista.
Inicialmente são os xingamentos,
as palavras ofensivas
e de baixo calão ditas agressiva
e violentamente
como forma de nos anular.
Chegando ao DOI-CODI/RJ,
fui levada encapuzada
para o andar térreo,
para uma sala: a sala de torturas,
conhecida como ‘sala roxa’.
De capuz, tive minhas roupas
arrancadas e meu corpo molhado.
Fios foram colocados
e senti os choques elétricos:
no bico dos seios, vagina, boca,
orelha e por todo o corpo.
Gritavam palavrões e impropérios,
chutavam-me. Exigiam-me,
através das torturas, que eu falasse
o que não sabia! No dia seguinte,
não sei precisar bem, fui
novamente levada
para a sala de tortura
e lá assisti parte da tortura
que meu marido sofria:
choques elétricos
em todo o seu corpo.
Seus gritos acompanharam-me
durante anos. Era muito comum
esta tática
quando algum casal era preso,
além de se tentar jogar um
contra o outro em função
de informações que pseudamente
algum teria passado
para os torturadores…
‘Será mesmo que ele falou isso?’…
Era necessário um esforço
muito grande
para não sucumbirmos…
‘Se falou está louco!’…
era o meu argumento,
repetido à exaustão.
Continuavam querendo saber
sobre o sequestro do embaixador
alemão. Fui novamente despida,
e colocada numa sala
que ficava ao lado da de torturas.
Fui amarrada numa cadeira
e colocaram um filhote de jacaré
sobre meu corpo. Desmaiei.
Os guardas que me levavam,
sempre encapuzada, constantemente
praticavam vários abusos sexuais…
Os choques elétricos no meu corpo
nu e molhado
eram cada vez mais intensos…
Eu me sentia desintegrar:
a bexiga e o ânus sem nenhum controle…
‘Isso não pode estar acontecendo:
é um pesadelo… Eu não estou aqui…’,
pensava eu. O filhote de jacaré
com sua pele gelada e pegajosa
percorrendo meu corpo…
‘E se me colocam a cobra,
como estão gritando que farão?’…
Perco os sentidos, desmaio.
Numa madrugada fui retirada
da cela, levada para o pátio,
amarrada, algemada
e encapuzada… Aos gritos
diziam que ia ser executada
e levada para ser ‘desovada’
como em um ‘trabalho’
do Esquadrão da Morte…
Acreditei… Naquele momento
morri um pouco… Em silêncio,
aterrorizada, me urinei…
Aos berros, riram e me levaram
de volta à cela… Parece que,
naquela noite, não tinham
muito ‘trabalho’ a fazer …
Precisavam se ocupar”.

III

O que eu vi até o momento
é que outras gripes
mataram mais do que essa.
Assim como uma gripe, outra
qualquer leva a óbito.
Por enquanto, nada de alarme.
Não é uma situação alarmante.
Não é motivo para pânico.
Se estiver tudo redondinho
no Brasil, não vamos buscar
ninguém [na China]. Se depender
do presidente, não vamos
buscar ninguém. Custa caro
um voo desses.
Foi surpreendente o que aconteceu
na rua até com esse
superdimensionamento.
Que vai ter problema
vai ter, quem é idoso, [quem]
está com problema, [quem tem]
alguma deficiência,
mas não é tudo isso que dizem.
Toda família testou negativo.
Eu, a partir do momento
em que não estou infectado,
ao ter contato com quem quer que seja,
não estou colocando em risco a saúde
daquela pessoa. Talvez
eu tenha sido infectado lá atrás
e nem tenha sabido. Talvez muitos
de vocês também. Se eu resolvi
apertar a mão do povo
desculpe aqui, isso é um direito meu.
Muitos pegarão isso
independente dos cuidados
que tomem. Isso vai acontecer
mais cedo ou mais tarde.
Devemos respeitar, tomar as medidas
sanitárias cabíveis, mas não podemos
entrar numa neurose,
como se fosse o fim do mundo.
O que que está acontecendo, nós íamos
passar por isso. Começou na China,
foi para outros países da Europa
e iríamos passar por isso. Agora,
o que está errado é a histeria,
como se fosse o fim do mundo.
E uma nação, o Brasil, por exemplo,
só estará livre desse vírus, né,
o coronovírus [sic] aí, tá, quando?
Quando um certo número de pessoas
forem infectadas
e criarem anticorpos, que passam a ser
barreira para não infectar
quem não foi infectado ainda.
Nós estamos em uma briga
pelo poder e vou ser fiel
àquilo que eu sempre tive
com a população brasileira.
Não dá para querer jogar
nas minhas costas
uma possível disseminação
do vírus. Vocês vão querer
jogar a responsabilidade
em cima de mim. Espero
que não venham me culpar
lá na frente pela quantidade
de milhões e milhões
de desempregados
na minha pessoa. Esse vírus
trouxe certa histeria.
A economia está parando.
Estão tomando medidas,
a meu ver, exageradas.
Tem alguns governadores,
no meu entender, que estão
tomando medidas
que vão prejudicar e muito
a nossa economia. Se for nos ônibus
do Rio, Metrô de São Paulo,
está tudo lotado. A vida
continua, não tem que ter histeria.
A histeria leva a um baque da economia.
Não é porque tem uma aglomeração
de pessoas aqui e acolá
esporadicamente
que tem que ser atacado
exatamente isso. É tirar a histeria.
Agora, o que acontece? Prejudica.
Algumas autoridades estaduais
têm tomado medidas, tem tido
reclamação e tem tido elogio
também, mas eu deixo claro
que o remédio, quando em excesso,
pode não fazer bem
ao paciente. Tem certos governadores
que estão tomando medidas
extremas. Uns fecharam supermercados,
outros querendo fechar aeroportos, outros
querendo colocar uma barreira
entre os estados, fechando academias.
Não compete a eles fechar
aeroporto, fechar rodovias, shopping,
feira do Nordestino no Rio de Janeiro.
Tem gente que quer fechar igrejas,
o último refúgio das pessoas.
Lógico que o pastor vai saber
conduzir lá o seu culto, ele
vai ter consciência, o pastor,
o padre, se a igreja está muito cheia,
falar alguma coisa, ele vai
decidir. Até porque
a garantia de culto é garantida
pela constituição. A chuva
está vindo aí, você vai se molhar,
agora se você botar uma capinha
aqui, tudo bem, passa, agora
se você entrar em parafuso,
você vai morrer afogado
embaixo da chuva.
Não temos como impedir
o direito de ir e vir.
Estão fazendo terror
com a população desses estados.
Brevemente o povo saberá
que foi enganado por esses governadores
e por grande parte da mídia
nessa questão do coronavírius.
O comércio para, o pessoal
não tem o que comer.
A economia tem que funcionar,
caso contrário as pessoas
vão ficar em casa
sem ter com o que se alimentar.
Vão morrer alguns. Sim, vão morrer.
Mas não podemos deixar esse clima
todo que está aí. Prejudica a economia.
Não adianta eu falar ‘fiquem calmos’,
ou ‘esperem uma guerra’. Primeiro
porque eu estou me violentando.
Eu não quero histeria
porque isso atrapalha.
Depois de uma facada, não
vai ser uma gripezinha
que vai me derrubar não,
tá ok? Eu faço 65
daqui a quatro dias.
Vai ter uma festinha tradicional
aqui. Até porque eu faço aniversário
no dia 21 e minha esposa dia 22.
São dois dias de festa aqui.
Emenda, dia 21, próximo de meia-
noite ela me cumprimenta; logo depois
eu a cumprimento. Ou será
que eu estou proibido
de fazer essa festinha em casa?

ALBERTO PUCHEU é poeta, ensaísta e professor da UFRJ


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