Pelos olhos de Lenise

Pelos olhos de Lenise
A fotógrafa Lenise Pinheiro (Foto Lenise Pinheiro / Divulgação)
  Antes de Fernanda Montenegro, era de Henriette Morineau o título de “grande dama do teatro brasileiro”. Certo dia do ano de 1981, após uma apresentação da peça Ensina-me a viver, no Teatro Sesc Anchieta, em São Paulo, a atriz septuagenária foi observada no camarim por uma jovem de vinte e um anos enquanto retirava a maquiagem que a caracterizava como Maude, protagonista da trama. Morineau talvez tenha morrido sem saber, mas, naquele momento, com um gesto corriqueiro, acabou ajudando Lenise Pinheiro na escolha do que faria pelas próximas três décadas: fotografar teatro. À época dividida entre as duas graduações que cursava – Arquitetura e Comunicação Social – e que acabou abandonando posteriormente, ela, que havia decidido ainda criança que seria fotógrafa, já era uma aficionada por teatro. Uma paixão levou a outra. “A maquiagem foi o que primeiro chamou minha atenção. Meu olhar já era voltado, então, para a imagem, a textura, a geometria, o ritmo… Fui capturada pelo manancial de possibilidades que o teatro oferecia”, conta. Por isso, quando levada por um amigo ao backstage da peça de Domingos de Oliveira, percebeu arte onde outros viam banalidade. “Vi aquilo e pensei: ‘gente, isso dá um ensaio’. A partir daí, comecei a tramar, a mexer meus pauzinhos.” Lenise fotografou a peça de formatura de um amigo que estudava na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo. Mostrou, então, os cliques ao diretor do espetáculo, Odavlas Petti, que lhe disse que não havia nenhuma foto ruim entre o material e a acons

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