Para além da repressão e da confissão
Edição do mês
Inéditos de Michel Foucault vêm outra vez pôr em questão como entendemos as origens e as balizas das nossas experiências do corpo e como formamos para nós mesmos modos de vida: ao reunir cursos, estudo conceitual, esquemas teóricos e uma versão prévia da abertura de um dos seus últimos livros, Genealogias da sexualidade, obra publicada pela Ubu neste mês, retoma e atualiza debates propostos pelo filósofo ao longo da sua obra. A abordagem do caráter produtivo do poder; a crítica à ideia de que a repressão determina, de modo exaustivo, saberes e práticas em torno da vida sexual; o diagnóstico de que instrumentos de confissão condicionam as ciências e outras instituições sociais – essas e outras temáticas são repostas sob ângulos diferentes, em uma antologia que permite captar algo de como se efetivam o pensamento de Foucault e sua dinâmica.
Com tradução de Ernani Chaves, um dos mais importantes leitores de Foucault no Brasil, o livro traz quatro textos: “Discurso e repressão”, conferência realizada em 8 de maio de 1975 na Universidade da Califórnia em Berkeley; “A genealogia do saber moderno sobre a sexualidade”, curso proferido na USP em outubro de 1975; “A vontade de saber”, variante do início do primeiro volume da História da sexualidade; e “Sexualidade e solidão”, seminário realizado em parceria com Richard Sennett (as aulas do sociólogo não compõem o livro) no Instituto de Humanidades de Nova York, entre 31 de outubro e 20 de novembro de 1980. O conjunto traz uma introdução feita pelos foucaultianos
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